O ex-premier italiano emitiu nota em que não se oporá a um novo governo, mas deixou claro que será oposição, sobretudo a Luigi Di Maio (M5S)

POR ANDRÉ FELIPE DE LIMA

Vinte e quatro horas. Esse é o tempo que Luigi Di Maio (M5S) e Matteo Salvini (Lega) pediram ao presidente Sergio Mattarella para emitir uma resposta definitiva em relação a um acordo que possa levar, enfim, a consolidação de um novo governo italiano. Foi uma manhã de muita negociação até assumirem esse primeiro passo considerado preâmbulo decisivo para uma resolução que ponha fim ao tortuoso processo político. A Salvini perguntaram se nesse curto prazo de um dia será possível chegarem a um consenso. Pragmaticamente, ele respondeu: “Absolutamente sim”.

As conversas ainda não cessaram. Salvini e Di Maio também ouviram Silvio Berlusconi (Forza Italia). O que se especulava logo após a eleição é que o ex-premier seria o ponto de convergência entre os dois maiores vencedores nas urnas. Berlusconi já deu sua resposta. Mesmo reticente, o Cavaliere afirmou que o Forza Italia não representará empecilho para o possível nascimento de um governo entre a Lega e o M5S. Em comunicado à imprensa, ele declarou que ninguém pode usá-lo como álibi diante da incapacidade ou da impossibilidade de encontrar acordo entre forças políticas bastante antagônicas.

“O país está esperando por um governo há meses”, destaca a nota de Berlusconi. No mesmo texto, ele alega que o ideal para a Itália seria um governo de centro-direita, justamente a coalização que liderou na campanha. Para ele, se isso se consolidasse nas urnas, o governo teria encontrado no Parlamento os votos necessários para governar.

Embora “abençoando” a tentativa de acordo entre Salvini e Di Maio, Berlusconi deixou evidente o desconforto com o líder do M5S: “Da nossa parte não vetamos ninguém, mas — diante das perspectivas que são esboçadas — não podemos dar nosso consentimento hoje a um governo que inclua o Movimento Cinco Estrelas, cujo líder mostrou nessas semanas que não tem maturidade política para assumir essa responsabilidade”.

Para Andrea Marcucci, do Partido Democrático (PD), finalmente os “populistas” chegaram a um consenso após “incríveis balés” que duraram cerca de 60 dias. Irônico, Marcucci definiu Berlusconi como a “madrinha” de Di Maio e Salvini, ou seja, o grande catalisador dos bastidores do novo governo que, em tese, começa a se formar.