Ministro prometeu construir centros de repatriação “fechados”

(ANSA)

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, anunciou que o governo construirá “centros de repatriação fechados”, para impedir que imigrantes ilegais “fiquem passeando pelas cidades”.

Salvini, que é líder da ultranacionalista Liga, calcou sua campanha eleitoral na promessa de “tolerância zero” com as pessoas que cruzam o Mediterrâneo para chegar à Europa. “As pessoas não querem ter pontos onde alguém sai às 7h e volta às 22h, e durante o dia não sabe o que fazer e arruma confusão”, declarou.

Questionado por jornalistas se esses locais não seriam “prisões a céu aberto”, o ministro reforçou que serão “centros de repatriação” e que é preciso verificar “quem são e de onde vêm” as pessoas descobertas com “documentos falsos ou sem documentos”.

Atualmente, a Itália expulsa cerca de 6 mil imigrantes por ano, mas, para mandá-los de volta, é preciso ter acordos com os países de origem. Até agora, Roma assinou tratados do tipo na África somente com Tunísia, Egito, Nigéria, Sudão e Gâmbia.

“Queremos aumentar os centros de repatriação e expulsão, onde os imigrantes fiquem, sem rodar pelas cidades arrumando confusão. Reduzir o número de desembarques e aumentar o número de expulsões”, reforçou Salvini.

Há apenas cinco dias no Ministério do Interior, o secretário da Liga ainda não iniciou nenhuma medida concreta, mas já expressou sua reprovação a uma proposta de reforma da Convenção de Dublin, o sistema de regras de refúgio na União Europeia, por acreditar que o projeto não reduziria o peso carregado pela Itália.

O país também vive a expectativa de como a Igreja Católica e o próprio papa Francisco, defensor tenaz do acolhimento a refugiados (muitos dos quais chegam sem documentos), reagirão às suas políticas. Em carta enviada a um simpósio ambiental em Atenas, na Grécia, iniciado na última terça (5), o Pontífice mencionou a crise migratória, mas sem referência específica à Itália.

No documento, Francisco diz que o Mediterrâneo é um mar “maravilhoso”, mas lamenta que ele tenha se tornado um “túmulo para homens, mulheres e crianças”.