Novo vice-premier da Itália quer reduzir desembarque de navios

(ANSA)

O novo ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, visitou neste domingo (2) a Sicília, no sul do país, e propôs criar novos centros de expulsão de imigrantes para evitar mais desembarques.

“Basta à Sicília como campo de refugiados da Europa. Não assistirei mais, de braços cruzados, aos desembarques de navios. Precisamos de mais centros de expulsão”, disse o político, líder do partido nacionalista Liga Norte. “Não tem casa e trabalho para os italianos, imagine para metade do continente africano”, criticou.

Mas Salvini, conhecido por contrário à política imigratória italiana atual, evitou endurecer mais seu discurso e prometeu seguir apenas o que está previsto no contrato de governo assinado com o Movimento 5 Estrelas (M5S). “Aquilo que não está escrito no contrato Cinco Estrelas-Liga não será discutido, assim, evitaremos brigas”, comentou.

“Em relação aos imigrantes, não teremos uma linha dura, mas bom senso”. De acordo com o vice-premier, que criticou o papel das ONGs no resgate e acolhimento de imigrantes, evitar novos desembarques é uma maneira de “salvar vidas”.

“O objetivo é salvar vidas, e estou fazendo isso, impedindo a partida dos barcos da morte, que são negócios para alguns e desgraça para o resto do mundo. Estou trabalhando para obter menos desembarques, mais expulsões, mais segurança e para bloquear um enorme business?, explicou.

Ontem, Salvini disse que tentaria negociar “acordos melhores” com os países de onde mais partem os imigrantes, do norte da África e do Oriente Médio, devido aos conflitos locais. A Itália, por estar no Mar Mediterrâneo, recebe diariamente dezenas de embarcações de imigrantes, as quais, com frequência, sofrem naufrágios e provocam inúmeras mortes. “A segurança das fronteiras, a política de asilo comum, a luta contra o êxodo dos imigrantes são a verdadeira questão existencial para a Europa”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel.

Segundo Merkel, é necessário unificar os sistemas para que a Itália não seja deixada sozinha nessa crise. “Parte da insegurança sentida hoje na Itália se deve ao fato de que os italianos, após o colapso do governo líbio, se sentiram sozinhos na missão de acolher tantos imigrantes”.

Salvini tomou posse há dois dias, em um governo populista de centro-direita formado pela Liga Norte e pelo M5S, com o jurista Giuseppe Conte como primeiro-ministro. O governo anterior, liderado pelo esquerdista Partido Democrático (PD), defendia que a Itália acolhesse os imigrantes e os ajudasse a se realocarem na sociedade. Mas também pedia que a Europa assumisse uma “responsabilidade compartilhada” nessa crise.