Em vista do impasse nas negociações na Itália, o líder do partido de extrema direita Liga, Matteo Salvini, propôs ao antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) a criação de um governo apenas até dezembro, com o objetivo de aprovar um novo sistema eleitoral

“Se for um governo técnico, de escopo definido ou institucional, o encargo deve ser dado a quem venceu as eleições. Excluo qualquer técnico à la [Mario] Monti e reitero o convite ao M5S para fazer poucas coisas e boas”, declarou Salvini.

O líder da Liga levará essa proposta ao presidente Sergio Mattarella na próxima segunda-feira (7), quando haverá uma nova rodada de consultas com o chefe de Estado. No entanto, ela não resolve o principal impasse nas negociações com o M5S: Silvio Berlusconi.

O ex-primeiro-ministro conservador é aliado de Salvini, mas o movimento antissistema se recusa a governar a seu lado e defende uma aliança apenas com a Liga, que lhe daria uma maioria estreita no Parlamento. Por sua vez, o líder ultranacionalista resiste a romper a coalizão conservadora, para assim ter mais força nas tratativas.

De acordo com Salvini, os meses restantes até o fim do ano seriam usados para “reformar o sistema eleitoral, rejeitar o novo orçamento da União Europeia, abolir a reforma previdenciária e aprovar um texto que bloqueie a imigração descontrolada”.

O objetivo do secretário da Liga seria criar um sistema eleitoral que garanta um “prêmio de maioria” ao vencedor, dando ao primeiro colocado estabilidade para governar. O atual modelo produziu um Parlamento fragmentado entre três forças políticas que se mostraram incapazes de fechar qualquer acordo.

Para guiar esse governo até dezembro, Salvini diz ter “alguns nomes na cabeça”, até mesmo de fora da Liga. “Mas é preciso partir de quem venceu as eleições. Nunca darei a confiança a um governo técnico imposto por Bruxelas”, declarou, acrescentando que essa é a última opção para evitar eleições antecipadas. “Não posso fazer milagres”, disse.

No entanto, a proposta não foi bem recebida pelo M5S. “Salvini desperdiçou a melhor ocasião da sua vida para formar um governo, inclusive de seis meses. Podia ter feito um governo com o M5S, mas decidiu ficar com o multicondenado Silvio Berlusconi”, afirmou o líder antissistema no Senado, Danilo Toninelli. (Agência ANSA)