Líder da direita quer buscar votos individualmente no Parlamento

(ANSA)

O líder da coalizão de direita, Matteo Salvini (Liga), está pronto para receber um “pré-encargo” do presidente da Itália, Sergio Mattarella, para formar um governo.

Em ambientes próximos à ultranacionalista Liga, há a convicção de que Salvini se prepara para apresentar seu programa no Parlamento e pedir o apoio de deputados e senadores de outros partidos. A expectativa do líder da extrema direita italiana é que ele consiga algum apoio em parte do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S).

Como não há acordo entre as três forças que dividem o Parlamento, o presidente da República tem poucas opções na mesa: convocar eleições antecipadas, o que ele tenta evitar a todo custo; formar uma espécie de “governo de união nacional” para aprovar um novo sistema eleitoral e levar o país às urnas em 2019, algo difícil de se conseguir em um clima de hostilidade mútua; ou dar um “pré-encargo” de primeiro-ministro a alguém.

Salvini, líder da coalizão vencedora das eleições de 4 de março, é quem mais se aproxima matematicamente de obter a maioria no Parlamento. A aliança conservadora tem 41,4% dos assentos na Câmara dos Deputados e 42,8% no Senado e precisaria, respectivamente, de 55 e 24 votos para conseguir governar.

Isso representaria aproximadamente 25% dos parlamentares do M5S, partido mais cortejado por Salvini. No entanto, ainda não há indícios de algum movimento dentro da legenda antissistema para apoiar a coalizão de direita.

O programa de Salvini tem como pilares a introdução de uma alíquota única no imposto de renda, a abolição da reforma previdenciária italiana e medidas de combate à migração clandestina no Mediterrâneo.

O risco para o líder ultranacionalista é “queimar” uma cartada em uma tentativa de negociação direta no Parlamento, cuja chance de fracasso não é pequena. “Há dois meses não toco em um cigarro”, disse o fumante Salvini no Twitter, “estou cheio de brigas, polêmicas e perdas de tempo, espero não me irritar muito nos próximos dias, senão terei de recomeçar”.

A nova data “decisiva” para a política italiana é 7 de maio, quando Mattarella fará uma terceira rodada de consultas com os partidos, após dois meses de negociações infrutíferas entre M5S, direita e centro-esquerda.