Como em 2013, a ex-deputada havia alertado governo italiano para o risco de fraudes nas eleições deste ano

DA AISE

Embora tenha sido a candidata ítalo-brasileira mais votada no Brasil para a Câmara Italiana e a terceira na circunscrição da América do Sul, Renata Bueno não foi reeleita. Ela obteve 14.250 votos, mas não foram suficientes para eleger-se devido à colocação da lista Civica Popolare, da qual fazia parte. Para seguir no Parlamento Italiano, Renata precisaria de 21.937 votos.

À Agencia Internazionale Stampa Estero (Aise) Renata lamentou a derrota, porém aceitou o resultado do “jogo democrático”. Ela assinalou, contudo, estar preocupada com a segurança do voto. No final do ano passado — antes, portanto, do início da campanha eleitoral —, ela questionou o Governo sobre quais medidas adotaria para evitar fraudes eleitorais registradas, como as registradas nos votos do exterior em 2013. Como vem sendo noticiado pela imprensa internacional, a preocupação de Renata não foi à toa. Lamentavelmente, o problema persistiu.

Renata acredita que houve fraudes na eleição de 4 de março, algumas suspeitas motivaram queixas do Partido Democrático e do +Europa encaminhadas à Corte Di Appello (Tribunal de Recursos de Roma). A ex-deputada citou durante a entrevista, como exaustivamente apontados pela imprensa, os indícios de fraudes em cédulas eleitorais da Alemanha, do Canadá, de San Marino e na Argentina, onde há suspeita de fraudes em cerca de 10 mil votos. Para a candidata do Civica Popolare, há muitos níveis de competência para um processo eleitoral inseguro.

Renata ressaltou que acompanhou o a contagem de votos em Castelnuovo di Porto entre a noite do dia 4 e a madrugada do dia 5. Ela frisou que não havia uma contagem precisa simplesmente porque não havia número suficiente de escrutinadores.

As contas não fecham, e a suspeita de que realmente houve fraude em votos na América do Sul se intensificam quando comparados números de votos do exterior em 2013 com o registrado este ano. “Para entender o que estamos falando, basta ver os números. Em 2013, quando fui eleita, 93.595 cidadãos votaram no Brasil, equivalentes a 36.14% dos eleitores. Cinco anos depois, em 2018, apesar do aumento significativo do número de eleitores, que passou de 258.991 para 351.989, o número de eleitores caiu para 86.791, ou 24,65% inferior que o da última votação do referendo. Essa queda é ainda mais significativa no Uruguai, um país que, em 2013 tinha 75.000 eleitores. Votaram 32.000. Em 2018, de 86.000 eleitores votaram 20.200. Também no Paraguai o número de eleitores foi baixo, de 28,9%, e na Argentina o eleitorado caiu de 34,44% em 2013 para 29,57% em 2018”, comparou Renata.

Renata também alertou para o grande número de eleitores que não receberam em suas casas as cédulas eleitorais. A política ítalo-brasileira teme que o cenário atual intensifique a desconfiança sobre o voto do exterior e, consequentemente, comprometa eleições futuras. Definitivamente, a chamada “Lei Tremaglia”, aprovada em 2001 e que estabelece as regras para o voto de cidadãos italianos residentes no exterior, está na berlinda. “É uma lei que está se tornando cada vez mais importante em um mundo cada vez mais globalizado, mas que também é muito onerosa para o estado italiano permitir que seja negligenciada dessa maneira. Que mensagem queremos passar para os italianos fora da Itália e quais reflexões queremos induzir aos italianos residentes na Itália?”, concluiu Renata.