Governo quer assumir a responsabilidade de redistribuir os recursos no lugar do Coni

O Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni) apresentou uma proposta de reforma que prevê dar ao governo a prerrogativa de distribuir entre as federações esportivas italianas os recursos públicos repassados à entidade anualmente. A proposta causou revolta no esporte da Itália e gerou uma crise entre atletas e dirigentes e o partido ultranacionalista Liga, promotor da iniciativa.

O governo deseja que essa tarefa fique sob responsabilidade do próprio Estado, enquanto ao Coni cuida somente da gestão de quase 40 milhões de euros destinados a atletas olímpicos e de alto rendimento.

Segundo o site “Il Post”, o Coni redistribuiu 145, 8 milhões de euros entre 44 federações esportivas da Itália em 2017.

Para a Liga, o atual modelo cria uma situação de conflito de interesses, uma vez que o presidente do Coni, Giovanni Malagò, foi eleito em uma votação entre as próprias federações.

De acordo Malagò, a proposta não se trata de uma “reforma do esporte” na Itália, mas sim de uma “ocupação” do Coni.

“Até mesmo o fascismo respeitou a história do Coni desde sua fundação”, retrucou Malagò.

Por sua vez, o ministro do Interior Matteo Salvini, secretário da Liga, afirmou que Malagò está “nervoso” porque “perderá muito dinheiro”.

“No mundo dourado dos palácios do esporte, onde há salários de centenas de milhões de euros, é preciso se lembrar que o esporte não é apenas a Série A, o esporte é atletismo, vôlei. Resumindo, mais dinheiro ao esporte de base”, disse.

A polêmica chega enquanto a Itália tenta lançar novamente uma candidatura para sediar os Jogos Olímpicos, desta vez a edição de Inverno de 2026, com Milão e Cortina d’Ampezzo. O país aparece bem posicionado na briga, já que sua única adversária deve ser Estocolmo, da Suécia, mas pode acabar prejudicado por questões políticas.