Comunidade Hebraica cancelou participação em passeata em Roma

(ANSA)

O interminável conflito árabe-israelense provocou uma cisão entre entidades que organizavam um ato em Roma para esta quarta-feira, dia 25 de abril, data em que a Itália celebra sua libertação do nazifascismo.

Nesta terça (24), véspera da manifestação, a Comunidade Hebraica da capital anunciou que não participará mais da passeata, após ter descoberto que associações pró-Palestina também marcarão presença.

O ato havia sido anunciado no início do mês e, com apoio da Prefeitura de Roma, seria feito de forma unitária. Ao invés de cada entidade promover sua própria manifestação, como sempre ocorrera. A passeata é liderada pela Associação Nacional dos Partisans da Itália (Anpi), que reúne “partigiani” e descendentes de guerrilheiros que combateram o nazifascismo.

“Apesar dos acordos, a Anpi não quis tomar uma posição definitiva sobre a presença organizada de associações palestinas e pró-Palestina com símbolos estranhos ao espírito de 25 de abril”, diz uma nota da Comunidade Hebraica de Roma, justificando sua decisão de romper com a manifestação.

“Somos gratos à prefeita de Roma, Virginia Raggi, pelo empenho dos últimos meses na tentativa de favorecer uma passeata unitária e lamentamos que não tenha sido possível fazê-la, mas não há condições”, acrescenta o comunicado, acusando também os palestinos de terem lutado ao lado dos nazistas.

Na última segunda (23), a comunidade palestina da capital italiana havia anunciado a intenção de sair às ruas em 25 de abril com suas bandeiras e portando o “keffiyeh”, tradicional lenço que virou símbolo de sua causa. Em nota, a Anpi se disse “surpresa” com a decisão das lideranças judaicas de Roma.

Antes disso, a entidade havia dito que receberia “os símbolos de todas as formações combatentes e partisans”.