A nomeação do ex-diretor-geral da Polícia Federal delegado Fernando Segovia para o cargo de adido policial em Roma virou alvo da Procuradoria da República em Brasília

Ele foi nomeado ao cargo oficialmente no dia 1.º de março, após ser demitido pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Segovia ficou pouco mais de três meses na chefia da PF. O delegado se notabilizou pela declaração de que a mala de R$ 500 mil em dinheiro vivo em poder de Rocha Loures, ex-assessor do presidente Michel Temer, não seria suficiente para caracterizar crime de corrupção.

A investigação preliminar da Procuradoria, denominada “Notícia de Fato”, consiste em um levantamento de informações em fase anterior à eventual instauração de inquérito. A informação foi divulgada pela repórter Camila Bomfim, da TV Globo, e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A apuração tem base em regra da própria corporação, que prevê uma quarentena de três anos para os delegados da PF ocuparem a adidância policial nas Embaixadas. Segovia foi adido na África do Sul até 2017.

Em novembro do ano passado, ele foi nomeado diretor-geral da PF. Nos pouco mais de três meses que ficou no cargo, acumulou episódios polêmicos.

A principal polêmica foi uma entrevista à agência Reuters, na véspera do carnaval, na qual indicou a tendência pelo arquivamento de um inquérito contra Temer relacionado ao chamado Decreto dos Portos. As declarações resultaram em uma forte reação de associações de delegados, um pedido de esclarecimento do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, além de uma petição da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para que ele se abstivesse de “qualquer ato de ingerência” sobre investigação em curso, sob pena de afastamento do cargo. (Exame)