Luigi Patronaggio recebeu carta com projétil militar

(ANSA) – O procurador-chefe de Agrigento, Luigi Patronaggio, autor do inquérito que investiga o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, por “sequestro de pessoas”, recebeu nesta quarta-feira (12) uma carta com um projétil militar e ameaças de morte.

A correspondência foi interceptada no quinto andar da sede do Ministério Público de Agrigento, na região da Sicília, e faz referência ao caso do navio Diciotti, que passou cinco dias bloqueado no Porto de Catânia com mais de 150 migrantes a bordo.

A ordem para impedir o desembarque do Diciotti partira de Salvini, em uma decisão sem precedentes, já que se tratava de um navio da própria Guarda Costeira italiana. A embarcação resgatara 177 migrantes – a maioria eritreus – no Mediterrâneo Central em meados de agosto, mas o ministro queria forçar os Estados-membros da União Europeia a acolhê-los.
A descida dos deslocados internacionais em Catânia só foi permitida após a Igreja Católica ter aceitado receber 100 migrantes, e Irlanda e Albânia, 20 cada uma. No entanto, muitas das pessoas sob os cuidados da Conferência Episcopal Italiana já desapareceram, uma vez que os deslocados costumam usar o país apenas como porta de entrada na UE.

Em função do “caso Diciotti”, o Ministério Público de Agrigento abriu um inquérito contra Salvini por sequestro de pessoas, mas, como ele tem foro privilegiado, a investigação passou para o Tribunal de Ministros de Palermo.

Salvini ironizou o inquérito e disse que ele foi “eleito pelo povo”, diferentemente dos procuradores. Além disso, acusou magistrados de fazerem “política”.

Alerta

A ameaça contra Patronaggio chega no mesmo dia em que o presidente da República, Sergio Mattarella, deu um recado indireto ao ministro do Interior, afirmando que “nenhum cidadão está acima da lei”, nem mesmo os que ocupam “cargos públicos”.

“No nosso ordenamento não existem juízes eletivos. Nossos magistrados trazem legitimação do papel que a Constituição lhes atribui. Não são chamados a seguir orientações eleitorais, mas devem aplicar a lei e suas regras”, declarou o chefe de Estado durante um evento na Câmara dos Deputados.

“O presidente Mattarella recordou hoje que ninguém está acima da lei, e ele tem razão. Por isso, respeitando a lei, a Constituição e o compromisso assumido com os italianos, fechei e fecharei os portos aos traficantes de seres humanos. Que me investiguem e me processem, eu seguirei em frente”, rebateu Salvini.