País ainda não sabe qual será seu futuro governo

(ANSA)

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, deu um ultimato para os partidos representados no Parlamento chegarem a um acordo que permita a formação de um novo governo.

Após mais uma fracassada rodada de negociações, o chefe de Estado afirmou, nesta sexta-feira (13), que o “impasse” não pode prosseguir e que, caso ninguém construa uma maioria, ele mesmo pode tomar uma decisão unilateral.

“Deixei clara às várias forças políticas a necessidade de que nosso país tenha um governo na plenitude de suas funções”, afirmou Mattarella após o fim das consultas com os partidos no Palácio do Quirinale.

Atualmente, a Itália é governada pelo primeiro-ministro Paolo Gentiloni, que já apresentou sua renúncia e continua no cargo apenas para cuidar de assuntos correntes. No entanto, a ausência de um novo governo impede que temas importantes avancem, como a previsão econômica para 2018 e a venda da Alitalia.

Mattarella, sempre discreto, dá mostras de que está perdendo a paciência, mas vê sinais que indicam um possível acordo entre Movimento 5 Estrelas (M5S), o partido com mais assentos no Parlamento (34%), e a Liga, líder da coalizão conservadora e dona de 19% das cadeiras da Câmara e 18% do Senado.

Por conta disso, decidiu esperar mais alguns dias para que Luigi Di Maio (M5S) e Matteo Salvini (Liga) resolvam suas diferenças.

Se não houver acordo, o próprio mandatário tomará a iniciativa.

Neste caso, ele terá duas opções: dar um mandato “explorativo” para a presidente do Senado, Elisabetta Casellati, ou ao da Câmara, Roberto Fico, para que negociem diretamente com as forças políticas; ou dar um “pré-encargo” a Salvini ou Di Maio.

O que parece certo é que não haverá uma terceira rodada de consultas com Mattarella e que o presidente, um ex-magistrado que preza pelo funcionamento natural das instituições, não pode sequer ouvir falar em eleições antecipadas.

Berlusconi

O principal impasse nas negociações na Itália tem nome e sobrenome: Silvio Berlusconi. O antissistema M5S já declarou abertamente que gostaria de governar ao lado da ultranacionalista Liga, que, por sua vez, está amarrada a uma coalizão conservadora com o Força Itália (FI), presidido pelo ex-premier.

Salvini vem resistindo a romper a aliança não apenas por fidelidade a Berlusconi, mas porque, sem o apoio do FI, teria de ceder a cadeira de primeiro-ministro a Di Maio. Por outro lado, se o M5S se juntasse à inteira coalizão de direita, dona de 42% do Parlamento, o Palácio Chigi ficaria com o líder da Liga.

Se a Itália persistir no impasse, Mattarella pode ter de apelar para o chamado “governo do presidente”, ou seja, um gabinete de duração e programa limitados, guiado por uma pessoa “respeitável” escolhida pelo chefe de Estado. Ainda assim, esse primeiro-ministro precisaria obter o voto de confiança do Parlamento.