Mattarella pediu um momento de reflexão após falar com Casellati

(ANSA)

Após receber as considerações da presidente do Senado, Elisabetta Alberti Casellati, o chefe de Estado da Itália, Sergio Mattarella, pediu nesta sexta-feira (20) dois dias de reflexão antes de revelar o resultado das negociações para a formação de um novo governo. “Realizei nestes dias a tarefa que me foi confiada com dedicação, procurando favorecer confrontos construtivos entre as forças políticas capazes de verificar a maioria parlamentar no perímetro indicado por Mattarella”, explicou Casellati depois de entregar seu relatório ao presidente.

Ontem(19), a líder do Senado, que recebeu um mandato exploratório, encerrou o segundo dia de consultas entre o partido Movimento 5 Estrelas (M5S) e a coalizão de direita. No entanto, a legenda ultranacionalista e a sigla antissistema se mantiveram irredutíveis em suas posições. “Agradeço a todos os líderes pelo lançamento de um debate que permitiu destacar pontos de reflexão política, mas tenho certeza de que o presidente Mattarella poderá identificar o melhor caminho a seguir”, afirmou a presidente do Senado.

Casellati teve a difícil missão de encarar a rejeição do líder do M5S, Luigi Di Maio, a um acordo envolvendo o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, do Força Itália (FI), que faz parte da coalizão de direita com a Liga, de Matteo Salvini, e o radical Irmãos da Itália (FDI), de Giorgia Meloni.

Di Maio chegou a aceitar a discutir as possibilidades da formação de um novo governo, mas desde que as conversas não envolvessem o ex-premier. Para tentar encerrar o impasse, Salvini já se mostrou aberto a aceitar uma “terceira” figura para assumir o cargo de primeiro-ministro.

“Estamos aguardando a reflexão. Espero ser o objeto desta reflexão, mas não sei se posso chegar a tanto”, afirmou Salvini.

“Eu só digo e repito que eu tenho a nítida sensação de que há alguém que quer perder tempo. Você não quer qualquer governo para chegar a um governo interino”, acrescentou. Enquanto isso, Berlusconi também recusa um acordo com o M5S, “um partido que não conhece o ABC da democracia, que experimenta a inveja social formada apenas pelos desempregados, e que representa um perigo para a Itália”.

“Há uma grande confusão, os italianos votaram muito mal, eu acompanho tudo com nojo, tudo vai de mal a pior”, acrescentou o ex-premier.

Para Berlusconi, em relação a um governo de centro-direita, que olha para o grupo misto e alguns membros do partido Democrático, Meloni e Salvini são diferentes de Di Maio.

“Di Maio tem uma boa conversa, não posso negar, mas ele nunca combinou nada de bom para si, sua família, para o país. Não podemos deixar a Itália com gente como ele”, finalizou. O território italiano está sem um governo com plenos poderes quase 50 dias, sendo que o recorde é de 1992, quando o país chegou a ficar 82 dias sem um premier.