Roberto Fico encontrará com Mattarella na tarde desta quinta-feira (26)

(ANSA)

O presidente da Câmara, Roberto Fico, deu início nesta quinta-feira (26) a uma nova rodada de consultas, na tentativa de chegar a um acordo para formar o governo da Itália.

A primeira reunião ocorreu com representantes do Partido Democrático (PD), rival do Movimento 5 Estrelas (M5S) que foi convocado para encontrar Fico a partir das 13h (horário local).

Durante as negociações, o secretário interino do PD, Maurizio Martina, reconheceu que o movimento antissistema liderado por Luigi Di Maio deu um grande “passo” ao cogitar a possibilidade de um acordo entre as duas forças, mas, “ao mesmo tempo, não esconde as diferenças”.

“Nós estamos interessados em dar uma mão a este país em uma fase delicada da história institucional e política. Se chegamos até aqui é porque outros falharam, por 50 dias testemunhei várias tentativas que não produziram um resultado útil”, explicou.

Martina ainda decidiu convocar a liderança nacional do PD no próximo dia 3 de maio para discutir a proposta.

A possibilidade de um acordo entre as duas forças rivais ficou evidente nas declarações de seus líderes, que evitaram fechar portas e colocar vetos nas últimas negociações, ao contrário do que acontecera nas fracassadas tentativas entre o M5S, a coalizão de direita e, mais especificamente, o partido ultranacionalista Liga. Ontem (25), o líder da frente do “não” a esse eventual desfecho, o ex-primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi resolveu ouvir cidadãos na rua antes de se posicionar oficialmente sobre as negociações.

Di Maio, por sua vez, afirmou que “ou fechará um acordo com o Partido Democrático ou todos terão que votar novamente”.

“Entendo que nós do M5S dissemos ‘nunca com Pd’ e o Partido Democrático disse ‘nunca com M5S’, mas não se trata de irmos juntos, não se trata de negar as profundas diferenças ou divergências, no passado ou no presente, é uma questão de começar a raciocinar com outra visão”, acrescentou.

Segundo Di Maio, ele não sabe como será o acordo, mas espera que seja conforme as expectativas dos italianos.

Juntas, as duas legendas teriam a maioria estreita no Parlamento, e bastaria apenas um “não” do agora senador Renzi e de alguns aliados para derrubar o governo. Já o secretário da Liga, Matteo Salvini, não quis opinar sobre o possível governo e disse que “é melhor ficar quieto e respeitar o voto italiano em vez de dizer bobagens. Quero dar à Itália um governo, estou farto de insultos, caprichos e brigas”. O mandato exploratório de Fico, portanto, continua a ser difícil. Após as consultas, ele se reunirá com o presidente Sergio Mattarella para apresentar seu parecer. Se as negociações fracassarem, a Itália pode se ver às voltas com uma eleição antecipada, possibilidade rechaçada por Mattarella.