Roberto Fico tentará costurar um acordo entre M5S e PD

Nesta segunda-feira (23), o presidente da Itália, Sergio Mattarella, concedeu um mandato “exploratório” para o líder da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S).

Roberto Fico deverá verificar se há a possibilidade de formar uma aliança entre o M5S e o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda. O prazo dele é até a próxima quinta-feira (26) para relatar suas conclusões a Mattarella.

“Começarei a trabalhar imediatamente. Na minha opinião, o ponto fundamental é partir de temas que sejam do interesse do país”, afirmou o presidente da Câmara.

Fico foi convocado por Mattarella após a presidente do Senado, Elisabetta Alberti Casellati, do conservador Força Itália (FI), não ter conseguido costurar um acordo entre o M5S e a aliança de direita. O fracasso nas negociações fez o chefe de Estado olhar para o outro partido que pode garantir maioria ao movimento antissistema e que tem se mantido afastado das tratativas.

A primeira reunião de Fico foi com o premier demissionário Paolo Gentiloni, que pertence ao PD. Partido mais votado nas eleições de 4 de março, o M5S tem 35% da Câmara e 34% do Senado, enquanto a legenda de centro-esquerda possui 17% e 16%, respectivamente. Somadas, as duas forças teriam uma maioria estreita no Parlamento.

Ambos poderiam ainda buscar o apoio de pequenos partidos de esquerda dissidentes do PD ou das legendas que representam as minorias linguísticas da Itália. Todavia, até o momento, as lideranças do Partido Democrático, principalmente o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, têm resistido a dar sinais de abertura ao M5S.

Impasse

Nascido em Nápoles, Fico tem 43 anos e é um dos expoentes do movimento antissistema, além de ser visto como uma espécie de antagonista interno do líder da sigla, Luigi Di Maio. O presidente da Câmara representa a ala mais “à esquerda” no M5S.

Ao mesmo tempo em que Fico exerce seu mandato exploratório, Di Maio deve seguir tratando com a ultranacionalista Liga, de Matteo Salvini, em algo que ele mesmo chamou de “política dos dois fornos”.

Caso não haja acordo, Mattarella terá poucas opções à mesa. Uma delas seria ele mesmo indicar uma figura de relevo para liderar um governo de prazo e escopo limitados: por exemplo, um gabinete para aprovar um novo sistema eleitoral e levar o país às urnas no ano que vem.

A outra seria convocar eleições antecipadas já para 2018, mas o presidente não vê essa hipótese com bons olhos, uma vez que o cenário de fragmentação no Parlamento provavelmente se repetiria.

(com informações da ANSA)