(ANSA)

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, enfrenta na manhã de hoje (5) o voto de confiança do Parlamento. O jurista apresentou, em discurso, as suas propostas de governo, e os parlamentares terão que votar se apoiam ou não.

Como era previsto, Conte prometeu adotar medidas de cunho populista de distribuição de renda, além de políticas mais rígidas contra imigração ilegal. Ele também pediu uma reforma da União Europeia (UE) e anunciou que a Itália defenderá a redução das sanções internacionais à Rússia. O discurso ao Senado começou às 12h locais (7h em Brasília). Em seguida, ele irá à Câmara dos Deputados fazer seu pronunciamento. Ao fim, os parlamentares e líderes dos partidos se reunirão para analisar as propostas e votar. “É um momento importante para mim e para o país, tendo grande responsabilidade”, foram as primeiras palavras de Conte ao chegar ao Senado.

“É preciso oferecer respostas concretas às necessidades dos cidadãos. Hoje nos apresentamos para pedir a confiança não apenas a uma equipe de governo, mas a um projeto de mudança da Itália”, disse. Se autonomeando “advogado do povo”, Conte ressaltou que “assume o cargo com humildade e determinação, movido pelo espírito de serviço”. “De nós, haverá uma mudança radical da qual temos muito orgulho”, prometeu.

O premier defendeu os partidos com maioria que atualmente compõem o Parlamento italiano, os quais têm sido chamados de populistas e antissistema. “Se o populismo é a atitude de escutar as necessidades do povo, então somos”. “Queremos ser pragmáticos. Ouvir, executar e controlar serão os três pilares de ação do governo. A primeira preocupação serão os direitos sociais, progressivamente retirados nos últimos anos: milhões de pessoas na pobreza, milhões de desempregados, milhões de sofredores”.

“Chegou o momento de dizer que os cidadãos italianos têm direito a um salário mínimo digno, para que ninguém mais seja explorado, e direito a uma renda básica de cidadania, a um apoio aos desempregado para reinserção no mercado de trabalho”, exaltou. O novo premier também disse que seu governo promoverá a “legítima defesa” e indenização a vítimas de crimes violentos.

Sobre o tema da imigração, um dos assuntos mais polêmicos da Itália, Conte afirmou que colocará um fim ao “business da imigração”, que se esconde por trás da “falsa solidariedade”.

Seu ministro do Interior, o nacionalista Matteo Salvini, da Liga Norte, já vinha sinalizando nos últimos dias a revisão dos acordos de imigração e a possível criação de novos centros de expulsão de imigrantes.

No âmbito das relações internacionais, Conte reafirmou que a Itália é uma parceira, “um aliado privilegiado”, da Otan e dos Estados Unidos, mas anunciou uma mudança no tratamento à Rússia.

“Seremos partidários de uma abertura à Rússia, que consolidou nos últimos anos seu papel internacional em várias crises geopolíticas. Seremos promotores de uma revisão do sistema de sanções, a partir daquelas que mortificam a sociedade civil russa”, disse.

O novo premier também pediu uma reforma da União Europeia, alegando que a região “precisa de um adequamento da sua governança”. “A Europa é a nossa casa. Como país fundador, temos o pleno direito de reivindicar uma Europa mais forte e igualitária, na qual a união econômica e monetária seja orientada a tutelar as necessidades dos cidadãos, para balancear de maneira mais eficaz os princípios de responsabilidade e solidariedade”, argumentou.

No Senado, somente os partidos que compõem a maioria aplaudiram Conte. Os senadores da oposição, por sua vez, permaneceram imóveis.