Comunità Italiana

Porta irá novamente à Corte d’Appello contra fraudes eleitorais na Argentina

Ex-deputado intensifica articulações junto às autoridades argentinas

POR ANDRÉ FELIPE DE LIMA

O ex-deputado e sociólogo Fabio Porta (PD) informou à Comunità que ingressará nos próximos dias com um novo recurso na Corte d’Appello (Tribunal de Recursos) e na junta eleitoral italiana para que sejam investigados cerca de 10 mil votos oriundos da Argentina, todos favoráveis a candidatos da União Sul-Americana de Emigrantes Italianos (Usei). Essa será a segunda ação que Porta deflagrará. A primeira queixa formal foi apresentada durante a contagem dos votos, porém em nome de sua legenda, o Partido Democrático (PD). Foi naquele momento em que Porta identificou fortes indícios de fraudes em votos argentinos. “Acho importante que seja feita também pela justiça local, em Buenos Aires, uma investigação sobre o processo eleitoral. Só assim é possível provar que houve fraude. Ou seja, fazendo uma triagem dos votos”, ressaltou o sociólogo, que vem alertando insistentemente as autoridades argentinas.

Porta vem alertando insistentemente as autoridades argentinas

Candidato a uma vaga no Senado pelo PD, Porta reforçou ser este caso de 2018 o segundo em que a comunidade ítalo-brasileira é prejudicada durante eleições italianas, repetindo o mesmo episódio de 2008, quando Edoardo Pollastri tentava uma vaga para o Senado e perdeu-a de forma surpreendente para Esteban Juan Caselli, então do PDL de Silvio Berlusconi. “O sistema eleitoral já mostrou falhas e penalizou o Brasil e, especialmente, o PD. Em 2008, Polastri não foi confirmado senador por uma fraude identificada em Buenos Aires. Quando foi eleito senador o argentino Caselli. A história se repete. Foi um candidato que não fez campanha. Na eleição seguinte, ele passou de 60 mil votos para 6 mil votos. Com cinco anos de mandato, ele perde essa popularidade de uma forma impressionante. Acho que a comunidade ítalo-brasileira foi a única comunidade prejudicada duas vezes em eleições”, assinalou Porta.

Será difícil uma suspensão dos votos do exterior, mas ela não se mostra completamente improvável. “Parece difícil, mas na ausência de uma ata final, completa, ainda existe essa expectativa de que algo possa acontecer”, anseia o ex-deputado.

Porta não aderiu à força-tarefa anunciada semanas atrás pelo ítalo-brasileiro Diego Mezzogiorno, mas exaltou a importância de ações como a recentemente deflagrada por ele para apurar os indícios de fraudes eleitorais. “Pessoalmente, acho isso positivo”, resumiu Porta, que disse não saber se o PD deverá ou não aderir à iniciativa de Mezziogiorno.