O presidente italiano, Sergio Mattarella, encarregou nesta segunda-feira (28) Carlo Cottarelli, a encarnação da austeridade fiscal, de formar um governo até a realização de novas eleições, que provavelmente ocorrerão no segundo semestre ou no início de 2019

Cottarelli, de 64 anos, ex-alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) apelidado de “Sr. Tesoura” por seu papel na redução dos gastos públicos em 2013-2014, assume a chefia do 65º governo italiano, após o veto de Mattarella a um Executivo populista que não garantia a permanência na zona do euro, em nome da defesa dos interesses italianos na Europa.

Após saudar essa decisão na abertura do pregão com uma recuperação de quase 2%, a Bolsa de Milão se retraía novamente, perdendo quase 2% às 14h00 (9h00 de Brasília), enquanto o spread, a diferença entre as taxas de empréstimo de dez anos da Alemanha e da Itália, saltava cerca de 230 pontos, seu maior nível desde novembro de 2013.

Atual diretor do Observatório de Contas Públicas, Cottarelli vai agora formar sua equipe antes de se apresentar no Parlamento, onde praticamente não tem chances de obter a confiança. O Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema) e a Liga (extrema-direita), majoritários no Parlamento, são contra a sua nomeação.

Cottarelli declarou que planejava preparar e fazer votar o orçamento de 2019 antes das eleições, mas que, se não obtivesse a confiança, ficaria satisfeito em administrar os assuntos correntes até as eleições.

Qualquer que seja o cenário, não terá vida fácil diante dos populistas italianos, que venceram as legislativas de 4 de março e que denunciam um golpe de força após a rejeição de seu governo de união.

(Exame)