Há suspeita de que mais de 10 mil votos tenham sido fraudados, diz o ex-deputado Fabio Porta, do PD

DA REDAÇÃO

As suspeitas de fraudes dos votos do exterior, especialmente dos oriundos da Argentina, estão sob análise no Tribunal de Recursos (Corte di Appello Italiana) após queixa formal do Partido Democrático (PD). O ex-deputado Fabio Porta (PD) confirmou à Comunità que recomendou ao Ministério das Relações Exteriores e consulado e embaixada italianos em Buenos Aires que mantenham intacta toda a documentação dos votos argentinos para possível investigação futura. A meta é rastrear todo o caminho dos votos pelos códigos de barras e identificar se o eleitor recebeu ou não a cédula eleitoral. Em seguida, comparar o resultado da investigação com os votos contados em Castelnuovo di Porto.

Porta confia na Corte de Apelação, que deverá se pronunciar nos próximos dias sobre o resultado das urnas. Causa estranheza ao ex-deputado o fato de muitos ítalo-argentinos não terem votado ou sequer recebido a cédula eleitoral em suas residências. Segundo ele, há uma desproporção dos votos enviados à Roma com o percentual de abstinência registrado na Argentina. “Existe uma anomalia. Há cerca de 10 mil votos ou muito mais sob suspeição, e todos favoráveis a candidatos da União Sul-Americana de Emigrantes Italianos (Usei)”, frisou.

O ex-parlamentar italiano define os votos recebidos pela Usei como “exagerados”. “O indício de que algo está errado é grande”, assinalou Porta, que alerta ser vulnerável o modelo atual de votos no exterior pelos correios.

Embora escrutínio não tenha sido concluído, Porta, que não acredita em recontagem ou mesmo suspensão dos votos, afirmou que a queixa junto ao tribunal de recursos italiano é um primeiro e importante passo para que seja deflagrada uma denúncia formal que se desdobre em investigações no consulado de Buenos Aires e no correio argentino ou mesmo em uma ação criminal.

Para Porta, a legislação que rege o voto no exterior precisa ser revista. O voto pelos correios, reforça ele, é vulnerável a fraudes e favorece, inclusive, candidatos que sequer mantêm raízes com as comunidades italianas.