Duas semanas após as eleições, futuro da Itália ainda é incerto

O Partido Democrático (PD), derrotado nas eleições italianas de 4 de março, cogita a hipótese de realizar um referendo para decidir se apoia ou não um eventual governo liderado pela legenda antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S).

Em entrevista à rádio “Rai 1”, o ex-líder do PD na Câmara dos Deputados Ettore Rosato afirmou que é contra se aliar ao M5S, mas ressaltou que os filiados da sigla devem ser ouvidos antes de decisões importantes. “Inclusive sobre a possibilidade eventual de formar um governo”, disse.

Partido mais votado nas eleições de 4 de março – em termos individuais, já que a coalizão de direita terminou na frente -, o M5S precisará do apoio de outros partidos se quiser governar. A mais cotada é a ultranacionalista Liga Norte, mas o PD também teria os números para lhe garantir maioria no Parlamento.

No entanto, apesar de algumas alas defenderem uma abertura, o comando atual do partido rechaça a hipótese de se aliar ao Movimento 5 Estrelas, que sempre adotou um tom agressivo em relação à sigla de centro-esquerda.

Por outro lado, o M5S já deu indícios de que pode aceitar até indicações de ministros de eventuais aliados, embora tenha apresentado um gabinete completo ainda antes das eleições. “Sobre ministros, falaremos com [o presidente] Mattarella”, disse Luigi Di Maio, líder da legenda antissistema e possível primeiro-ministro.

A situação política na Itália deve ganhar contornos mais claros na próxima sexta-feira (23), quando a nova legislatura tomará posse para as eleições dos presidentes da Câmara e do Senado. (ANSA)