O papa Francisco iniciou nesta sexta-feira (20) uma visita a Alessano, na província de Lecce, e Molfetta, em Bari, pelo 25º aniversário da morte do bispo italiano Antonio Bello, que nasceu na primeira cidade e faleceu na segunda, onde aproveitou para fazer um apelo a favor dos imigrantes

“A vocação da paz pertence a esta terra maravilhosa de fronteira, que don Tonino chamou ‘janela da terra’, porque o sul da Itália é a porta para muitos do sul do mundo, onde os pobres estão se tornando mais numerosos, enquanto os ricos ficam mais ricos”, disse.

“O Mediterrâneo, a barca histórica da civilização, nunca é um arco de guerra tensa, mas um arca de paz quente”, disse o Pontífice, durante a visita a Puglia.

Durante a visita, o Pontífice visitou o túmulo de “dom Tonino”, a quem ele definiu como “bispo-servo”, onde celebrou uma missa para cerca de 40 mil fiéis.

Em sua homilia, Jorge Mario Bergoglio destacou o desejo do bispo de ter uma Igreja com “fome de Jesus”, que saiba “distinguir o corpo de Cristo em lugares desconfortáveis de miséria, sofrimento e solidão”. “Uma Igreja para o mundo: não mundana, mas para o mundo, a serviço do mundo”, ressaltou.

“Seria bom nesta diocese de don Tonino Bello que fosse colocado este aviso nas portas das igrejas para ser lido por todos: ‘Depois da missa, não vivemos mais para si, mas para os outros’”, disse Jorge Mario Bergoglio.

Atualmente, a Congregação para as Causas dos Santos analisa um processo de beatificação de “dom Tonino”, um notório ativista pela paz e pelo desarmamento. “Se a guerra gera pobreza, a pobreza gera guerra. A paz, portanto, é construída a partir das casas, das ruas, das lojas, onde a comunhão se molda”, explicou Francisco.

Antes da missa, o Santo Padre foi recebido pelo monsenhor Vito Angiuli, bispo de Ugento-Santa Mari di Leuca, e pela prefeita loca, Francesca Torsello. Próximo ao túmulo de Tonino, Bergoglio fez uma oração e depois cumprimentou os parentes do religioso. “Muito foi escrito e dito nestes 25 anos. O mais belo testemunho foi dado por ele mesmo, que introduziu a ideia de passar a existência dos pobres em terras distantes, ajudando as pessoas a viver melhor, anunciando o Evangelho”.

Antonio Bello, conhecido por don Tonino, morreu em Molfetta, no dia 20 de abril de 1993. Na época, ele era responsável pela recuperação de viciados em drogas e por levar a mensagem cristã a Sarajevo, no meio da guerra dos Bálcãs. No ano depois de sua morte, causada devido a complicações de um tumor no estômago, a Itália lhe concedeu o Prêmio Nacional de Cultura da Paz. (Agência ANSA)