O papa Francisco fez uma dura crítica aos políticos que exploram a questão migratória na tradicional mensagem pelo Dia Mundial da Paz, divulgada pelo Vaticano nesta última sexta-feira (24).

Segundo Francisco, em muitos países, “se difundiu largamente uma retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou a honra dos novos chegados, desprezando assim a dignidade humana que deve ser reconhecida para todos, em quanto filhos de Deus”.

“Quantos fomentam o medo dos imigrantes, apenas para fins políticos, e em vez de construir a paz, semeiam violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grandes preocupações para todos aqueles que tem no coração a proteção de cada ser humano”, escreveu o Pontífice.

Importância do papel de liderança

Para Jorge Mario Bergoglio, todos aqueles que tem papéis de liderança precisam entender que “tem responsabilidade com a sua própria comunidade, para as quais devem assegurar os direitos justos e o desenvolvimento harmônico, para não ser como aqueles construtores que fazem cálculos errados e não conseguem construir as torres que começaram a edificar”.

O texto ainda pede ações de “acolhimento concreto” já que a maior parte dos imigrantes não vão para outra nação apenas porque querem, mas porque são obrigados por conta de conflitos ou de perseguições.

“Eles estão dispostos a arriscar a vida em uma viagem que, em grande parte, é perigosa e longa, que trará sofrimento, e terão que enfrentar as cercas e os muros não levantados para mantê-los long da meta. Eles fogem da guerra e da fome ou são obrigados a deixar a sua terra por conta da discriminação, perseguição, pobreza e degrado ambiental”, escreveu ainda.

No documento, o líder da Igreja Católica ainda pede que o ano de 2018 seja o ano “da definição e a aprovação por parte das Nações Unidas de dois pactos globais, um para a migração segura, ordenada e regular; o outro, para os refugiados”.

O tema da imigração é muito caro para o líder católico que, através de gestos e de mensagens, tenta mostrar o lado humano de quem busca uma vida digna em outro país. O Papa já recebeu algumas famílias de imigrantes para morar no Vaticano e pediu que todas as dioceses acolham os refugiados. (ANSA)