Nesta segunda-feira (9), o líder religioso lançou sua exortação apostólica

Em sua exortação apostólica lançada nesta segunda-feira (9), o papa Francisco afirmou que a internet pode se tornar uma fonte de violência. Inclusive portais católicos.

“Até mesmo os cristãos podem participar de redes de violência verbal através da internet e das diversas áreas ou espaços de intercâmbio digital. Mesmo nos meios de comunicação católicos os limites podem ser ultrapassados, se toleramos a difamação e a calúnia”, disse.

O texto trata a santidade no mundo contemporâneo. E é o quarto grande documento do pontificado de Francisco, já excluindo a encíclica “Lumen Fidei” (“Luz da Fé”). A qual foi lançada em 29 de junho de 2013 e escrita quase totalmente por Bento XVI.

O documento, chamado de “Gaudete et Exsultate” (alegrem-se e exultem), tem 100 páginas e convida a todos os fiéis a não terem “rostos tristes”.

“As constantes novidades dos recursos tecnológicos, o atrativo das viagens, as inumeráveis ofertas para o consumo, às vezes não deixam espaços vazios onde ressoe a voz de Deus”, refletiu Francisco, que está preocupado com os jovens “expostos” na rede.

Além disso, o Papa disse que os católicos não devem “relativizar” diferentes aspectos dos ensinamentos sociais da Igreja. Segundo ele, os fiéis dão prioridade ou atenção total a apenas uma questão ética ou moral, enquanto menosprezam problemas sociais”.

“A defesa do inocente que não nasceu, por exemplo, deve ser clara, firme e passional, porque em risco está a dignidade de uma vida humana, que é sempre sagrada e exige amor para cada pessoa, independentemente de seu estágio de desenvolvimento”, explicou.

Exortação apostólica

Na exortação apostólica, Francisco defendeu seu compromisso com os imigrantes, os pobres e todos os que sofrem no mundo. “É nocivo e ideológico o erro dos que vivem suspeitando do compromisso social dos demais, considerando-o algo superficial, mundano, secularista, imanentista, comunista, populista”.

“Se escuta com frequência que, ante o relativismo e dos limites do mundo atual, a situação dos migrantes seria um assunto menor.

Alguns católicos afirmam que é um tema secundário ao lado dos temas ‘sérios’ da bioética”, indagou.

“Que um político preocupado com seus êxitos diga algo assim é possível compreender; mas não um cristão, a quem só cabe a atitude de colocar-se no lugar deste irmão que arrisca sua vida para dar um futuro a seus filhos”, explicou o pontífice depois de citar o Evangelho.

Em tom indignado, o líder da Igreja Católica também abordou os riscos, desafios e oportunidade da santidade.

“Não podemos planejar um ideal de santidade que ignore a injustiça deste mundo, onde alguns festejam, gastam alegremente e reduzem sua vida às novidades de consumo. Ao mesmo tempo que outros apenas observam de fora, enquanto sua vida passa e se acaba miseravelmente”, destacou. A exortação apostólica é um documento dirigido a todas as instâncias da Igreja, diferentemente da encíclica, que é voltada a todas a humanidade.

(com informações da ANSA)