Comunità Italiana

O recorde das exportações salva a Itália: mas o consumo interno está parado

 

Com o consumo interno parado e em desaceleração, a leve retomada econômica italiana se agarra com todas as suas forças às exportações

Também porque as exportações Made in Italy continuam a crescer e no ano passado registraram um novo recorde: + 7,4%, totalizando 448 bilhões de euro. É quanto foi publicado no relatório anual do ICE (Instituto de Comércio Exterior Italiano, correspondente à APEX Brasileira), no qual se destaca o setor manufatureiro, que cresceu de 8,5%, chegando a 96 bilhões de euro.

No especifico, o setor farmacêutico cresceu de 16%, sendo surpreendentemente o setor mais dinâmico. Mas Michele Scannavini, o presidente do ICE, insiste em um ponto pouco conhecido: “Poucas pessoas sabem que a Italia é o 3º maior produtor mundial de robô”, um resultado considerável para o setor da automação. A indústria metalúrgica cresceu de 9,9%, e a indústria química de 9%. Valores maiores que o assim chamado “Made in Italy”, que cresceu principalmente nos setores de alimentos e bebidas (+7,5%), do vestuário (+4,7%) e do couro (+5,9%).

A difusão dos produtos italianos cresceu principalmente fora da União Europeia, com picos na China (+22%), no Brasil e na Rússia (19%) e na África do Sul (16%). Nos Estados Unidos o crescimento foi mais lento, a venda dos produtos italianos cresceu “apenas” de 10%. Um dado que, no entanto, segundo o Scannavini, não significa que os Estados Unidos possam ser substituídos facilmente e no curto prazo com outros mercados, por causa da guerra tarifária com a China. O mercado estadunidense por si próprio vale 40 bilhões de dólares para o comercio italianos no exterior, e a elaboração do um “plano B” significaria “anos nos quais nossa economia teria um impacto muito severo”. Forte crescimento também na Europa, onde os produtos italianos conquistaram Irlanda (+ 34%), Eslovênia e Portugal (+ 13%), seguidos pela Polônia (+ 12%), pela República Tcheca (+ 11%) e pela Espanha (+ 10%).

Essa tendência permite que a economia recupere o fôlego: em 2017, o Istat (Instituto Italiano de Estatísticas, correspondente ao IBGE), apontou que a despesa média mensal dos italianos – que representa mais de 60% do PIB da Itália – é de 2.564 euros em valores correntes (+ 1,6% em relação a 2016 e + 3,8% em relação a 2013, o ano mínimo para a despesa das famílias). No entanto, o Instituto de Estatística observa que “Ainda crescendo pelo quarto ano consecutivo, a despesa media mensal das famílias italianas permanece abaixo dos 2.640 euros registrados em 2011, ano que foi seguido por duas contrações acentuadas (-6,4% no total)”. Além disso, considerando o leve aumento da inflação (+1,2% em 2017, em comparação com -0,1% de 2016, quando a despesa média mensal houve um aumento de 1,0%), o aumento das despesas em termos reais sofre uma desaceleração preocupante. Assim, enquanto o governo está empenhado em entender como estimular a demanda doméstica, a manter dinâmica a economia italiana são as exportações.

(Câmara ítalo-brasileira de comércio e indústria do Rio de Janeiro)