Quase dois anos depois da morte de um dos maiores escritores italianos, Umberto Eco, o seu famoso texto dedicado ao “fascismo eterno” foi republicado nesta última quinta-feira (11) na Itália

“Ur-Facismo” contém 50 páginas e faz parte dos cincos escritos morais lançado pela primeira vez em 1997. “Nosso dever é desmascarar [o fascismo] e apontar o índice sobre cada uma das suas novas formas – todos os dias, em todas as partes do mundo”, escreve o autor de “O nome da rosa”.

“Esta publicação do Eco nos ensina que o fascismo não era apenas um momento histórico experimentado pela Itália e Europa no século passado, mas um risco constante de nossas sociedades”, explica à ANSA Elisabetta Sgarbi, gerente da editora “La Nave di Teseo”.

Segundo ela, “a situação política atual na Itália e Europa nos mostra quanto é que esta reflexão de Umberto Eco é fundada e necessária. É um livro que deve ir a todas as escolas, porque ensina o raciocínio sobre o significado da história e a importância da memória. É certo republicar ‘O Fascismo Eterno’ próximo ao dia da memória”.

No livro, o escritor indica os possíveis arquétipos do “Ur-Fascismo” ou “Fascismo eterno”, entre elas o culto da traição, o desacordo visto como traição, o medo da diferença, a obsessão com a trama e o apelo às classes médias frustradas. “No nosso tempo, quando os antigos proletários estão se tornando a pequena burguesia, o fascismo encontra seu público nessa nova maioria”, escreveu Eco.

Umberto Eco faleceu no dia 19 de fevereiro de 2016 em sua própria residência em Milão. Ele nasceu em Alessandria, no Piemonte, em 5 de janeiro de 1932, e entre os seus maiores sucessos literários estão “O nome da rosa”, de 1980, e “O pêndulo de Foucault”, de 1988. Sua última obra, “Número zero”, foi publicada em 2016 fala sobre a redação imaginária de um jornal, com fortes referências à história política, jornalística e judiciária da Itália. (ANSA)