O presidente da Rússia Vladimir Putin recebe hoje (24) a visita de um novo aliado europeu: o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte. Seu governo acabou de ser esnobado pela União Europeia, o que coloca Putin numa situação ímpar: a de estender uma mão amiga para uma das maiores economias da Europa

O encontro desta quarta-feira ocorre em Moscou, a 2.500 km do palco da divergência entre o governo italiano e o da União Europeia. Ontem, a Comissão Europeia rejeitou, pela primeira vez, o orçamento de um país. Segundo o bloco europeu, o plano italiano quebrou as regras da União Europeia, e pediu para que Roma envie um novo documento dentro de três semanas, exercendo pela primeira vez um poder obtido durante a crise de dívida soberana.

Para o vice-presidente da Comissão para o Euro, Valdis Dombrovskis o bloco não viu “alternativa senão pedir que o governo italiano o faça”. “Adotamos um parecer que dá à Itália no máximo três semanas para apresentar um projeto de revisão do plano orçamentário para 2019″, disse Dombrovskis. A Itália enviou uma carta à Comissão na última segunda-feira, reconhecendo que seu plano de orçamento viola as regras da UE, mas insistindo que ainda seguirá em frente com ele. “Os esclarecimentos recebidos ontem não foram convincentes para alterar nossas conclusões anteriores de um descumprimento particularmente grave da recomendação dirigida à Itália pelo Conselho em 13 de julho”, responderam os europeus.

A rejeição pode simbolizar uma posição mais crítica ao governo italiano como um todo. Formado em maio, o governo de coalizão da Itália tem como características o nacionalismo e o conservadorismo, e as medidas anti-imigratórias têm desagradado os líderes francês e alemão, Emmanuel Macron e Angela Merkel.

Em Moscou, Conte, um professor universitário que só assumiu o posto por uma completa divergência entre os partidos da coalizão de governo, pretende discutir com Putin uma posição contrária às sanções econômicas impostas ao país russo, além de novas alianças. Semana passada, Matteo Salvini, líder de um dos partidos da coalizão italiana, chegou a dizer que se sentia mais em casa em Moscou que em alguns países da Europa. Vodka e caviar não devem faltar na mesa de Conte.

(Exame)