Consulado de Belo Horizonte é reinaugurado em mansão na Savassi com a presença de ministro italiano

Primeira visita de um ministro italiano das Relações Exteriores a Belo Horizonte: um motivo a mais para lembrar o dia 23 de fevereiro, dia em que Angelino Alfano esteve na capital mineira com o objetivo principal de inaugurar a nova sede do Consulado italiano, localizada em uma mansão que foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e que se destaca pela beleza de sua arquitetura. Trata-se de uma mansão de feições neoclássicas, ainda que construída nos anos 1970.

— Com as reformas, renovamos os ambientes originais da casa, até mesmo reutilizando algumas portas e os lustres principais, também pela quantidade de molduras tombadas e de grande valor que não queríamos comprometer. A última reforma, mais longa, foi para a criação dos guichês e a inserção de um banheiro acessível na área de atendimento ao público — conta o arquiteto Edoardo Fontana.

A consulesa Aurora Russi foi ao aeroporto de Belo Horizonte para receber o ministro Alfano, que chegou por volta das 11 horas, acompanhado do embaixador Antonio Bernardini e do primeiro-ministro da Embaixada Filippo La Rosa. Antes de chegar ao evento que contava com uma seleta plateia mineira, uma rápida visita à Escola Internacional da Fundação Torino, onde a delegação foi recebida pelo presidente Graziano Borio. Uma visita breve, mas completa. O ministro pôde conhecer tanto a escola materna quanto a elementar e a média e, em seguida, visitou a biblioteca e a área esportiva.

Não houve uma reunião específica, mas Alfano pôde verificar como o ensino da língua italiana é importante, que a igualdade é um instrumento fundamental e que, hoje, a Fundação Torino se mostra um caso de grande sucesso.

Cerimônia reuniu 200 convidados

Ao meio-dia e meia, a delegação chegou ao Consulado, onde cerca de 200 convidados esperavam a inauguração: entre eles estavam o governador, Fernando Pimentel; o secretário estadual da Cultura, Angelo Oswaldo; os dois ex-governadores, Eduardo Azeredo e o senador Antonio Anastasia; o presidente da FIEMG, Olavo Machado; muitos deputados de Minas, entre os quais o sempre presente Leo Portela; o prefeito de Betim, Vittorio Medioli; o presidente da Acibra, Ciscotto; o presidente da Câmera Ítalo-Brasileira de Comércio, Rizzioli; o CEO da Sunteco, Peano; o presidente honorário da Acibra, Araldi; o diretor da revista Comunità, Pietro Petraglia; o presidente da Ternium do Brasil, Paolo Bassetti, que estava muito feliz também pelo acordo fechado na Usiminas entre a Nippon Steel e a Ternium, um acordo de grande peso também por suas importantes consequências econômicas. Marcaram presença muitos candidatos às eleições italianas, como os deputados Fabio Porta e Renata Bueno; a conselheira do CGIE, Silvia Alciati; e também Fabio Vicenzi, Daniel Taddone, Silvana Rizzioli e Walter Fanganiello Maierovitch.

Alfano, quando chegou, comentou com a consulesa que a sede era muito bonita e parabenizou pelo excelente trabalho. A cerimônia oficial deu-se na entrada do Consulado, e começou com a entrega da placa comemorativa do evento.

Primeiramente, tomou a palavra a cônsul Russi, que lembrou a contribuição dada por seus colaboradores na mudança e na organização da nova sede, agradeceu a família Starling, proprietária do edifício; e depois citou Giuseppe Isoardi, recentemente falecido, pela ajuda que sempre deu ao Consulado. Além disso, proferiu palavras de agradecimento ao embaixador Bernardini e ao primeiro-ministro da Embaixada Filippo la Rosa pelo apoio recebido, como também a seu marido, o arquiteto Edoardo Fontana, que escolheu o edíficio onde agora está o Consulado, e trabalhou na redistribuição dos espaços internos; os últimos agradecimentos foram para o governador Pimentel e para o ministro Alfano, pela presença.

O embaixador Bernardini se disse impressionado com a italianidade da cidade e do estado, e lembrou que, já no primeiro encontro, pediu à consulesa para que encontrasse uma sede nova e idônea para o Consulado, que pudesse simbolizar a dimensão das relações entre a Itália e Minas. A nova sede representa, segundo o embaixador, “a Itália que queremos: fascinante, funcional, elegante e protagonista”, e acrescentou que a presença do ministro Alfano testemunha a importância do investimento feito pelo governo italiano para melhorar os serviços prestados e para “valorizar a nossa presença em um território tão importante para a Itália, onde o governador Pimentel é um autêntico parceiro do nosso país e do Consulado, de nossa comunidade e das empresas que aqui operam” concluiu.

Contribuição italiana à construção da capital mineira é lembrada

O governador Pimentel evidenciou como a nova sede está agora à altura do que a Itália significa para o povo de Minas, e depois lembrou a contribuição dada pelos imigrantes na construção de Belo Horizonte e no desenvolvimento do estado:

— Sem a contribuição dos italianos, Minas Gerais não teria alcançado a posição que hoje ocupa no Brasil e no mundo — observou Pimentel.

Depois dos agradecimentos, o ministro Angelino Alfano começou dizendo: — O Brasil está em nossos corações. Acho que os nossos vínculos são vínculos que vêm da História, do sangue.

Depois, lembrou acontecimentos como as expedições de Américo Vespúcio e as de Pietro Tabacchi que, em 1874, deu início à história da imigração italiana para o Brasil; e então expressou um sentimento de gratidão pelas oportunidades que os imigrantes italianos encontraram aqui, cujos descendentes atualmente são cerca de 30 milhões.

— A ligação que nos conecta é a ligação que está conectada também à História — afirmou, referindo-se à Força Expedicionária Brasileira que, na Segunda Guerra Mundial, contribuiu para a liberação da Itália. Ele lembrou que todo ano, em Pistoia, no mês de abril, existe uma cerimônia que recorda o sacrifício dos soldados brasileiros.

E ressaltou a importância do futuro na relação entre os dois países:

— Mas nós não estamos aqui somente pela lembrança da História ou por uma nostalgia do passado; estamos aqui por um grande desejo de futuro, um futuro de prosperidade, bem-estar, liberdade e felicidade para os nossos povos. Inclusive, na OCSE, a Itália trabalha a favor da entrada do Brasil na organização, criando um canal de livre comércio entre as nossas empresas e as empresas brasileiras para que seja cada vez maior as trocas entre os nossos países — disse Alfano, acenando com uma amizade que deve se consolidar nas ONU e em todos os organismos internacionais.

Agradeceu a cônsul Aurora Russi pela fé, pela força e pelo entusiasmo que colocou em estabelecer esta presença da Itália em Belo Horizonte.

— Esta casa pode representar o quanto nós amamos este estado, esta cidade e como amamos as relações com o Brasil; porque escolhemos esta esplêndida casa, no centro desta cidade, com toda a solenidade e a beleza que esta cidade e este estado merecem — prosseguiu Alfano.

Muitas vezes o discurso de Alfano foi interrompido pelas palmas dos presentes. Após o discurso, o ministro comentou exclusivamente com Comunità que na segunda-feira, dia 26 de fevereiro, o ministro das Finanças Padoan assinaria o decreto que repassa quatro milhões de euros aos Consulados para melhorias nos serviços consulares; decreto este que foi efetivamente assinado na data prevista, segundo fontes do serviço de imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Itália.

A cerimônia concluiu-se com o baixo-barítono Yuri Guerra, que cantou músicas de seu projeto Um Espetáculo para Villa-Lobos e de seu show Vicente Celestino: A Voz Orgulho do Brasil, enquanto servia-se aos presentes um almoço preparado pelo chef Raffaele Autorino do Club do Chef de Massimo Battaglini.

— Fui o primeiro ministro das Relações Exteriores a vir a Belo Horizonte, e espero não ser o último — finalizou.