Últimas pesquisas não conseguiram desvendar quem irá governar o país, isso devido ao fato de que, segundo os resultados, nenhum partido ou coalizão conseguirá formar uma maioria nas duas câmaras do Parlamento

POR STEFANIA PELUSI

O último dia para prever o hipotético cenário após as eleições italianas do dia 4 de março foi 17 de fevereiro, pois a legislação italiana proíbe a divulgação de pesquisas de intenção de voto nas últimas duas semanas antes do pleito. E os institutos concluíram, com base nos resultados das últimas sondagens junto ao eleitor, que há somente uma palavra a proferir: incerteza.

As últimas sondagens publicadas nos jornais italianos não conseguiram desvendar quem irá governar o país, isso devido ao fato de que, segundo os resultados, nenhum partido ou coalizão conseguirá formar uma maioria nas duas câmaras do Parlamento. Por isso o jornal La Repubblica publicou no dia 17 de fevereiro na primeira página o título “Nenhuma maioria é possível”; o Corriere della Sera optou por um título parecido, “Sem maioria”.

A última análise publicada pelo site Termômetro Político, que compara vários resultados de diferentes institutos, aponta que a coalizão de centro-direita, que inclui a Liga Norte, Forza Italia, Fratelli d’Italia e Noi Per l’Italia-UDC, aparece em primeiro com 37,2% das intenções de voto; enquanto a coalizão de centro-esquerda, construída em torno do Partido Democrático (PD), atualmente governo, tem 27,5%. O independente Movimento 5 Stelle (M5S), que se opõe ao sistema partidário tradicional, chega a 27,6% das intenções de votos e o partido de esquerda e de dissidentes do PD, Liberi e Uguali, tem 5,6%. Segundo os especialistas, são porcentagens insuficientes para governar, pois com a nova lei eleitoral — que mistura o sistema proporcional com o uninominal — este resultado não será suficiente para obter a maioria, porque é preciso ultrapassar o 40%.

Nos resultados não é considerada a intenção de voto dos eleitores no exterior, que, embora não sejam em grande número, pode fazer pesar na hora da contagem dos votos.

Apesar de pequenas diferenças nos números apresentados pelos institutos, as pesquisas são unânimes e mostram um cenário incerto e fragmentado. Aparentemente, apontam uma vantagem da coalizão de centro-direita, porém o partido que aparece como o mais votado é o M5S e o líder que recebeu o maior índice de confiança entre os entrevistados continua a ser o primeiro-ministro, Paolo Gentiloni do PD.

“É preciso um mago para adivinhar o que acontecerá”, disse o especialista em pesquisa Antonio Noto à AFP. “Dez milhões de eleitores [de um total de cerca 50 milhões] ainda não decidiram se votarão ou não, e se eles votarão, ainda não sabem por quem”, completou ele. Além disso, o analista lembra o que aconteceu nas últimas eleições em 2013, quando cerca de 7% dos eleitores mudaram de ideia na cabine eleitoral e votaram em um partido diferente do que originalmente pretendiam votar.

Os milhões de eleitores indecisos, complicam ainda mais as previsões e o alarme para a abstenção é forte, alertam os analistas políticos.

Em caso de impasse após as eleições, os italianos entrevistados se declararam contrários a outras experiências de grande coligação: mais da metade dos eleitores preferem retornar imediatamente às urnas.

Por enquanto, a maioria dos partidos exclui a possibilidade de formar um governo de amplos acordos composto por forças pertencentes a diferentes alianças, mas tudo pode mudar uma vez terminada a campanha eleitoral e com os resultados definitivos.

Em qualquer caso, o retorno ao sistema proporcional com a lei eleitoral Rosatellum sinaliza para uma centralização forte ao Quirinale. Será o presidente da República, após as eleições, que tentará garantir um governo ao país, avaliando todas as possibilidades, com base nos resultados das eleições, antes de decidir sobre a estrada a ser tomada.