Destacamos três regiões da Itália que garantem a diversão do público no inverno europeu, com direito a bosques gelados, passeios de trenó e dicas profissionais para quem pretende começar a esquiar

Nessa época do ano, o frio europeu ferve com a agitação de turistas em busca de atividades e eventos na neve, entre eles, a Copa do Mundo de Esqui Alpino, que vai até 18 de março de, na Suécia. Marcas de grife e lojas especializadas celebrizaram points da moda para esquiar, como a badalada (e cara) Cortina D´Ampezzo, na Itália, um dos destinos mais procurados e sofisticados nesse período. Porém, se a ideia é variar, mudar os ares e, de quebra, deixar o bolso respirar melhor, as regiões de Piemonte, Valle D´Aosta e Friuli propõem atrações que podem surpreender aos mais exigentes gostos. Aventure-se pelos bosques gelados com o trenó puxado por cães, usufrua das comodidades da Ski Experience, que já deixa tudo pronto para a chegada do hóspede, ou matricule-se em um curso de esqui, em Friuli-Venezia Giulia, para ficar por dentro desse mundo branco.

O Friuli oferece uma espécie de “opção três em um”: na tríplice fronteira Itália-Áustria-Eslovênia, os turistas podem circular entre os três países, separados por poucos quilômetros entre si. Daniele Sabidussi, diretor da Scuola Italiana Sci di Tarvisio, confirma o avanço turístico conquistado nesse setor:

—Nos últimos anos, nossa região avançou muito na oferta de atividades relacionadas à neve, como esqui e snowboard. Os serviços se atualizaram, e os sistemas foram aperfeiçoados, tudo com um custo-benefício bem atrativo — avalia.

E esse avanço não é exclusividade do Friuli. Do outro lado, no extremo Noroeste da Itália, Giuseppe Artolli, gerente do hotel Nira Montana, no Valle D´Aosta, ressalta a importância de seu país e de sua região no cenário mundial do gelo:

— Estamos entre os quatro destinos mais famosos do mundo nesse setor, incluindo os Alpes e as Dolomitas. Neste contexto, o Valle D´Aosta oferece várias localidades, como Cervinia, Champoluc, Pila, Courmayeur e La Thuile. São lugares muito frequentados pelo público estrangeiro, sendo La Thuile um dos mais bonitos da região — recomenda.

O comune valdostano, inclusive, é uma boa opção para quem gosta de encontrar tudo pronto na chegada. Basta escolher a opção Ski Experience, conforme detalha Artolli:

— Os hóspedes informam previamente o número do calçado, a altura, o peso e a categoria de prática no esqui (iniciante, intermediário ou avançado), e providenciamos tudo para quando chegarem à sua Ski Box. Indicamos também professor de esqui particular ou agendamos aulas na Scuola Sci di La Thuile — explica à Comunità.

Ski Experience, sauna, passeios de trenó e até bronzeamento

Depois das aulas, se a intenção é relaxar (de preferência, em um ambiente mais quentinho), os 80 graus da sauna finlandesa, no Eco Wellness Hotel Notre Maison, em Valle D´Aosta, vão favorecer a desintoxicação do organismo, enquanto relaxam corpo e mente. E ainda dá para sair de lá com um bronzeado de dar inveja a qualquer surfista, frequentando as sessões de bronzeamento artificial nas Lampade Solari. Mas quem já vive na Itália e costuma esquiar com frequência não se deixa seduzir facilmente pelas mordomias hoteleiras. Muitos preferem trocar esses mimos pelo aconchego da casa di montagna. Esse é o caso de Edoardo Russo, que tem uma casa em La Thuile e costuma esquiar por ali com frequência:

— Sou fã dessa prática e gosto da região porque podemos aproveitar a temporada de neve até o último dia, principalmente no lado da fronteira com a França, que tem menos sol — indica.

Porém, para quem mora no Brasil e não tem a mesma experiência de Russo, as escolas de esqui são mesmo a melhor forma de “debutar” nesse mundo branco. Sabidussi, de Tarvisio, alerta que os “marinheiros de primeira viagem” devem tomar algumas precauções para não entrar numa fria. Ele recomenda um período de preparação, em que o turista deve estar com exames médicos em dia e adquirir noções básicas sobre o uso dos equipamentos, buscando sempre a ajuda profissional adequada.

Artolli, do hotel Niram Montana, em Valle D´Aosta, concorda e acrescenta outras orientações:

— É aconselhável fazer um seguro em caso de acidente. Se a pessoa não tem nenhuma experiência, é importante ser acompanhado por um professor. Ele ensinará os primeiros movimentos de base: ficar em pé, pegar o teleférico na subida, como se levantar depois de cair e assim por diante — observa.

Depois das aulas (e de alguns tombos), aí sim, já dá para arriscar manobras mais radicais e curtir a natureza gelada. Contudo, não se iluda. Aprendiz ou profissional, ninguém está livre de voltar para casa ensopado (e congelado), conforme observa Artolli:

— A primeira sensação que a neve me traz é a velocidade. O prazer de esquiar fora da pista, sobre a neve fresca ou em bosques, é incrível. No entanto, para isso, já é preciso estar mais acostumado a esquiar, para dominar os movimentos com segurança. Faz frio e, normalmente, voltamos encharcados dessas práticas — avisa.

Programas incluem passeios com cães treinados e excursões em bosques brancos

Mesmo sem ser profissional, é possível passear em “bosques brancos”, caminhando ou puxado por cães treinados, os sleddog. Para caminhar, basta usar a raquete de neve (calçado específico para essas ocasiões, com uma base maior para distribuir o peso da pessoa, evitando que ela afunde).

Erika Polesello, sócia-proprietária, com seu marido, Bellotto Diego, do hotel Edelhof, em Tarvisio (Friuli), dá as dicas:

— Organizamos excursões no bosque de Valbruna, com raquetes de neve. Também é possível fazer passeios com trenós puxados por cães.

Para quem ficou interessado, o pacote básico de hospedagem por lá sai em torno de 100 euros, e inclui pernoite, locação de equipamentos básicos, meia pensão e Ski Pass (os passeios são pagos à parte). O Ski Pass funciona como uma credencial para acesso direto a teleféricos e gôndolas que levam às pistas da montanha. Há vários tipos de teleféricos, e o mais comum é o funivia: grande e fechado, com espaço para colocar os esquis do lado de fora da cabine. A credencial pode ser adquirida nos hotéis ou em estabelecimentos específicos da cidade. O preço oscila entre 35 e 40 euros por dia. Há desconto para o Ski Pass semanal ou sobre quantidades maiores, no caso de quem viaja em família ou em grupos. As famílias, aliás, são o foco do Villaggio Olimpico Sestriere, no Piemonte, conforme relata Francesca Milesi, diretora do local:

— Oferecemos estruturas, serviços e espaços voltados prioritariamente para esse público: famílias ou grupos com integrantes de zero a 90 anos — empolga-se.

O local trabalha com pacotes: Ski Pass para cinco dias, incluindo aulas. Além disso, tem convênio para locação de equipamentos e está localizado próximo às pistas de esqui. As pistas são divididas por cores (verde, azul, vermelha e preta) e devem ser escolhidas de acordo ao nível de conhecimento do praticante. A pista verde é destinada a iniciantes, por ter uma inclinação menor, de apenas 5%. É adequada para quem está praticando pela primeira vez. A Azul já tem uma inclinação que oscila ente 6% e 25%, mas o nível de dificuldade ainda é considerado baixo. A pista vermelha chega a 40% e deve ser usada por esquiadores mais experientes. A preta é aquela que tem a maior inclinação, com alto nível de dificuldade.

Curso básico de esqui custa 120 euros e incluiu teoria e prática

Para quem prefere fazer um curso mais longo, o especialista Daniele Sabidussi, da Scuola Italiana Sci di Tarvisio, esclarece os valores para quem planeja investir no aprendizado:

— Um curso básico de 10 horas custa 120 euros, além das despesas de locação dos equipamentos, que saem entre 50 e 70 euros. Antes da aula prática, passamos uma breve base teórica do esporte. Depois, começamos ensinando os movimentos mais simples —orienta.

Enquanto arrisca seus primeiros passos no esporte, o público também pode aprender assistindo aos experts da área, em eventos como a Copa do Mundo de Esqui Alpino, conforme ressalta Artolli, do Nira Montana:

— No inverno 2018/19, La Thuile participará de importantes competições, como sede reserva da Copa do Mundo Masculina. No próximo ano, vamos sediar a Copa do Mundo Feminina, enquanto Cervinia receberá a Copa do Mundo Masculina de Snowboard – adianta à Comunità.

Gastronomia faz parte do roteiro

Para quem prefere aquecer o estômago, Courmayeur (a 15 km de La Thuile) sedia eventos gastronômicos com importantes chefs de cozinha, além de concertos e espetáculos no Casino di St Vincent. Outros eventos apresentam um pouco do folclore e da arte local, como a Fiera di Sant´Orso, que reúne os artesãos da região. É possível acompanhar a programação pelo site www.courmayeurmontblanc.it/lang/IT/homepage.  

Seja nas cores geladas das pistas de esqui, seja no sabor quente da gastronomia de inverno, não é exagero dizer que a experiência com a neve é impactante e envolve uma entrega “de corpo e alma”, como conclui Sabidussi:

— O primeiro contato é uma novidade para o corpo. No início, a pessoa deve sentir um pouco a parte físico-motora. Mas esse aprendizado tem um ambiente que encanta, revigora e recompensa qualquer dificuldade. É fascinante — derrete-se.

SERVIÇO

Scuola Italiana Sci di Tarvisio

Via Priesnig, 40, Tarvisio (UD), Friuli
www.scuolescifvg.com

Hotel Nira Montana

Località Arly, 87, La Thuile, Valle D´Aosta

niramontana.com

 

Hotel Edelhof
Via Armando Diaz, 13 – Tarvisio (UD), Friuli

www.hoteledelhof.it

Villaggio Olimpico Sestriere    
Via Sauze 14, Sestriere – Turim, Piemonte

www.villaggiolimpico.com

Eco Wellness Hotel Notre Maison  

Frazione Cretaz, 8, Cogne, Valle D´Aosta

www.notremaison.it