Ex-premier renunciará ao cargo oficialmente hoje (12)

O atual líder do partido Democrático (PD) e ex-premier da Itália Matteo Renzi, que renunciará ao cargo oficialmente nesta segunda-feira (12), voltou a afirmar que não irá fazer nenhuma aliança com o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Liga Norte para formar um novo governo.

“Não há um governo liderado pelo M5S que possa obter uma colaboração do Partido Democrático”, disse Renzi durante uma entrevista ao jornal italiano “Corriere della Sera”.

“Nós dissemos que nunca faríamos um governo com os extremistas, e para nós, o 5 estrelas e a Liga são extremistas”, ressaltou o ex-premier.

O secretário do PD também fez um alerta sobre a composição do novo governo.”Não é um problema de ódio” que os líderes antissistema têm semeado. Mas sim uma “experiência política radicalmente diferente de nós”.

Segundo Renzi, a diferença está “em valores, em democracia interna, em vacina, na Europa, no conceito de trabalho e bem-estar e justiça. No entanto, o italiano garantiu que sua trajetória no PD chegou ao fim.

“Meu ciclo ao comando do partido Democrático foi encerrado. Foram quatro anos difíceis, mas lindo. Fizemos a Itália sair da crise. Quando a campanha de ódio acabar, muitos reconhecerão os resultados. Eu darei uma mão: não somos os que desceram do vagão, simplesmente porque o vagão sempre seguiu em frente. Continuarei a fazê-lo com um sorriso. Não tenho arrependimentos, não tenho rancores”, afirmou.

Renzi anunciou sua renúncia logo após perder as eleições legislativas da Itália no último dia 4 de março, quando o PD obteve 18% dos votos. A maioria, por sua vez, ficou entre a Liga Norte e o M5S.

Durante a entrevista, Renzi também afirmou que para acabar com o impasse no que diz respeito à formação do novo governo “é o M5S e a direita se aliarem entre si”.

“Eles que formem o governo, se conseguirem. Se não, que declararem seu fracasso. Nós não vamos servir de muleta para nenhum governo. Nós permaneceremos onde os cidadãos nos colocaram, na oposição”, explicou.

Além disso, ele assegurou que não vai criar um novo partido e trabalhará para o PD, apesar da “ruína e sevilismo que tem visto”.

A demissão do ex-premier deverá ser efetivada ainda hoje, durante uma reunião da direção executiva do partido. Logo depois, os 120 membros da comissão vão iniciar o processo de escolha de um novo secretário-geral, que deve ser eleito em abril. (ANSA)