PERDEMOS RANDON

No dia 3 de março, a comunidade italiana entristeceu-se. Perdemos o empresário ítalo-brasileiro Raul Anselmo Randon. Há 20 anos tive o prazer de entrevistá-lo para um caderno especial de economia da Comunità.

Neto de imigrantes italianos, Randon começou sua jornada vitoriosa ao lado do irmão Hercílio, na década de 1940, e ergueu um conglomerado de negócios em vários setores.

Deixa saudade e um grande exemplo de empreendedorismo.

REPAGINADA

Quem estará no Brasil no dia 22 deste mês é o CEO da Pirelli, Marco Tronchetti Provera. Ele apresentará ao mercado a reforma do parque industrial da empresa, em Feira de Santana, na Bahia. Estará com ele no evento o vice-presidente sênior para a América Latina, o britânico Paul Hembery, torcedor do Bristol City e da Inter de Milão, o mesmo time do coração do chefe Tronchetti Povera.

O ROLO DA CIDADANIA

Quem se enrolou com o caso das fraudes em quase dois mil registros de cidadania italiana na pequena Ospedaletto Lodigiano foi o pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Romeu Zema Neto, do partido Novo. Além dele, também aparecem na lista Catharina Zema e Domenico Zema. Todos da mineira Araxá, no Alto Paranaíba.

Em nota, o bisneto de italiano Zema Neto, um respeitado empresário mineiro, alega que contratou um escritório de advocacia especializado em cidadania italiana e que o mesmo escritório terceirizou o serviço com uma agência com “experiência de longa data nessa área”.

Zema Neto é presidente do conselho do Grupo Zema, que atua há 95 anos, especialmente no varejo de eletrodomésticos e na distribuição de combustíveis. A empresa mantém negócios em 460 cidades mineiras e teve uma média de faturamento de 4,5 bilhões de reais no ano passado.

‘ITALEXIT’

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ainda não sabe ao certo o que pensar sobre o que emergiu das urnas italianas. Ou, pelo menos, estaria aguardando o desfecho das negociações de Sergio Mattarella para um (improvável) consenso de governo.

Nos bastidores, especula-se que Juncker enxergaria como temerária a ascensão dos eurocéticos Di Maio (M5S) e Salvini (Lega), mas que se mostraria confiante nas soluções institucionais de Roma para garantir a Itália na União Europeia (EU).

‘ITALEXIT’ II

O que se ouve de Bruxelas, sede da Comissão Europeia, é que seria muito bem-vindo um isolamento de Salvini, cujo discurso antieuropeu é irremediavelmente irascível.

Embora ressabiado com o M5S e sua ambígua relação com o euro e o apoio de Beppe Grillo ao Brexit, Juncker acredita ser mais fácil um diálogo com Di Maio.

O fantasma de um “Italexit” está, contudo, no ar.

DESAFIOS DA ECONOMIA

Quem saiu, em tese, vitorioso das urnas italianas terá que responder a muitas perguntas do mercado. Duas delas cruciais: Como combater o crescente desemprego? Como encontrar ainda mais ofertas para a demanda dos jovens? E como desenvolver planos mais consistentes para pequenas e médias empresas?

Avançar com a chamada “Indústria 4.0” pode ser um dos caminhos para a recuperação do país. Tecnologia para alavancar mercados e abrir frentes de trabalho, especialmente para os mais jovens.

Uma saída é aproximar as universidades das empresas, sobretudo poderosos conglomerados, como Enel, Finmeccanica, Fincantieri e Eni, líderes em diversas cadeias de negócios no país.

Se a política não atrapalhar, a economia italiana retomará a rota positiva.