Presidente fez 1º apelo depois do resultado das eleições

DA ANSA

O presidente da Itália, Sérgio Mattarella, fez um alerta nesta quinta-feira (8) para os candidatos eleitos atuarem com responsabilidade durante as negociações para a formação do novo governo do país, após nenhum partido ter maioria absoluta nas eleições do último dia 4.

“Nós ainda precisamos desta abordagem: um sentimento de responsabilidade que nos permita fazer do interesse geral do país e de seus cidadãos a prioridade”, disse Mattarella.

Este foi o primeiro apelo do chefe de Estado italiano desde que o voto antissistema saiu vencedor das legislativas. A maioria dos assentos do Parlamento ficou com a coalizão de direita que inclui o eurocético Liga Norte, liderado pelo candidato a pimeiro-ministro Matteo Salvini, e o Força Itália (FI) do ex-premier Silvio Berlusconi. Já o segundo partido mais votado foi o antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S).

Durante seu discurso, Mattarella ressaltou a necessidade de todos se concentrarem sempre nos interesses do país e dos cidadãos a fim de reconstruir uma unidade mesmo depois de momentos de amargo confronto, como aconteceu em meados da década de 1970.

Na ocasião, o “país se separou de maneira fervorosa”, mas “depois de apenas alguns meses houve a capacidade de alcançar um alto comprometimento em questões fundamentais”, como a reforma do direito da família, “com uma legislação de grande valor e qualidade”, explicou o italiano.

Segundo ele, enfrentar uma crise é muito complicado, portanto, é preciso garantir o compromisso de “fazer tudo” e “com a colaboração de todos” para que a Itália tenha sucesso para dar a si próprio um governo “evitando” um impasse que inevitavelmente retornaria à votação.

Como nenhum partido garantiu a maioria, a Itália tem vivido uma incerteza política. Tanto Luigi Di Maio, líder do M5S, quanto Salvini, podem exercer o cargo de primeiro-ministro, mas a decisão final é do presidente italiano, que pede por uma negociação sem conflitos.

De acordo com o parlamentar da Liga Norte, Giancarlo Giorgetti, não se deve descartar nenhuma das opções, no entanto, ele considera os dois “líderes alternativos”.

“Os interesses dos italianos se aproximam de qualquer cálculo político” e segue o caminho, trabalhando em um programa para “oferecer ao Parlamento” para ver se há “quem nos dê uma mão”, afirma.