O líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), Luigi Di Maio, propôs nesta quarta-feira ao líder da Liga Norte, Matteo Salvini, escolher outro candidato para o cargo de ministro de Economia de um Governo conjunto para a Itália, depois do veto do chefe do Estado, Sergio Mattarella, ao eurocético Paolo Savona.

“Ou vamos votar imediatamente, sem governos tecnocratas e sem perder tempo, ou fazemos com que este governo de mudança assuma, elegendo outra pessoa (…) para ministro de Economia”, disse Di Maio em um vídeo publicado no Facebook.

O M5S estendeu assim a mão à ultradireitista Liga Norte para voltar a tentar impulsionar um Governo, depois que Mattarella deu na segunda-feira esse incumbência ao economista Carlo Cottarelli, que aguarda o desenvolvimento de alguns eventos antes de anunciar sua possível lista de ministros.

Di Maio reconheceu que a Itália está vivendo “dias complicados” depois que os partidos políticos não conseguiram impulsionar um Executivo desde as eleições gerais de 4 de março.

O líder reiterou que sua formação não apoiará a moção de confiança no Parlamento de um Governo tecnocrata liderado por Cottarelli, porque “ninguém contempla um governo não votado pelos italianos”.

Por isso, abriu a possibilidade à Liga Norte, já que juntos têm mais de 50% dos votos, para voltar a tentar apresentar outra lista de ministros que desta vez receba o sinal verde de Mattarella.

“Levamos (à Chefia do Estado) um governo com uma lista de ministros e a mesma não foi aprovada. Agora devemos escolher votar novamente ou insistir para impulsionar um governo político”, insistiu.

“Se há um ministro que não foi aceito pela Presidência da República, temos que fazer um raciocínio. Temos uma lista de ministros, um primeiro-ministro, vamos escolher uma pessoa que tenha o mesmo nível que o professor Savona”, acrescentou.

Di Maio propôs manter este economista eurocético de 81 anos no Governo, mas em outro posto no qual não tenha que se responsabilizar da pasta de Economia.

Mattarella justificou no domingo seu veto a Savona pelas críticas ao euro e Di Maio reiterou hoje que a possibilidade de a Itália sair da zona do euro não é contemplada por nenhuma das duas formações.

“Nós, como governo, com o programa político assinado pelo M5S e a Liga, não projetamos uma hipótese de sair do euro. Isto foi uma notícia manipulada”, apontou.

Após o oferecimento do M5S, Salvini disse em um ato com seus eleitores em Ligúria (norte) que sua “paciência está se acabando”, assim como a dos italianos.

“Eu ainda espero que haja um Governo que responda ao voto dos italianos”, expôs.

(EFE)