O partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) pediu para o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi “dar um passo ao lado” para permitir a formação de um novo governo na Itália

Berlusconi integra a coalizão de direita vencedora das eleições de 4 de março, liderada pela ultranacionalista Liga, que é cortejada pelo M5S. “Reiteramos: nunca faremos um governo com Berlusconi e Força Itália [partido do ex-premier]. O FI poderia resolver o impasse colocando-se de lado e permitindo um governo M5S-Liga”, afirmaram os líderes do movimento no Senado e na Câmara, Danilo Toninelli e Giulia Grillo.

Com 34% dos assentos no Parlamento, o M5S pretende atrair apenas a Liga para, deste modo, conseguir indicar Luigi Di Maio ao cargo de primeiro-ministro. Caso se coligasse com a aliança conservadora, esta última, por possuir 42% das cadeiras, teria prioridade para designar o premier, provavelmente Matteo Salvini, secretário da legenda ultranacionalista.

“Se continuar o jogo das táticas políticas e dos vetos enquanto os italianos sofrem, quer dizer que o desejo de mudança será desconsiderado. Espero que não seja assim”, afirmou Salvini, após ter sido recebido pelo presidente Sergio Mattarella no Palácio do Quirinale, em Roma.

O ultranacionalista se apresentou ao chefe de Estado junto com a coalizão conservadora, que se disse pronta a “assumir a responsabilidade [de formar um governo] unilateralmente”, com um primeiro-ministro “indicado pela Liga”. Se não houver acordo, Mattarella pode ter de convocar novas eleições, já que nenhum grupo tem maioria no Parlamento. (Agência ANSA)