Partidos não conseguiram chegar a acordo para formar governo

(ANSA)

Em uma dura crítica, o líder do Movimento 5 Estrelas (M5S) culpou nesta terça-feira (8) o secretário da Liga, Matteo Salvini, pelo fracasso obtido durante a última rodada de negociações para formar um novo governo na Itália.

“A única coisa que eu pedi foi a separação com Berlusconi, mas ele [Salvini] preferiu Berlusconi a isso. Ele irá responder à história e aos italianos, especialmente nas próximas eleições, porque se [os italianos] vão votar é porque ele escolheu”, disse Di Maio durante entrevista à rádio “Rtl 102,5”.

Berlusconi é o principal entrave nas negociações entre o M5S e a Liga, já que o partido antissistema se recusou a governar a seu lado, enquanto Salvini não quis romper com o ex-primeiro-ministro para não perder força nas tratativas ou o apoio do Força Itália nas regiões do norte comandadas pelos ultranacionalistas.

“Minha relação com Salvini? Isso me lembra o status do Facebook, uma relação complicada. A Liga é uma força com um enorme potencial, mas não é livre, não pode fazer nada para este país. Vai ser interessante ver este homem dizendo: ‘Eu quero mudar esse país com Berlusconi’”, ironizou Di Maio.

Depois de um intenso impasse, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, confirmou a “indisponibilidade” de chegar a uma conclusão e afirmou que se não houver acordo para criar um gabinete político nos próximos meses, ele criará um “governo neutro” para ficar no poder até dezembro para levar o país às urnas logo em seguida.

“Eu sempre fui honesto e direto, mesmo no Quirinale. Nós não votamos em um governo neutro, porque isso significaria as pessoas do governo que têm uma conexão com outras pessoas”, acrescentou Di Maio.

Para ele, a eleição será um “segundo turno entre M5S e Liga” e “é provável que a votação termine em 22 de julho, quando Mattarella vai decidir e os italianos vão escolher se esta classe política deve permanecer para ditar as condições, olhando para seus próprios interesses”.

No entanto, o político do M5S afirmou estar “ciente de que há risco de abstenção com a votação de 22 de julho” e a abstenção “é um drama. Nós não queremos chegar a isso, entendemos que o voto em julho é sem precedentes”, ressaltou.