Dois artistas italianos, presos no fim de semana por pintar o rosto de uma adolescente palestina que estava presa no muro de separação israelense da Cisjordânia, deixaram Israel nessa segunda-feira (30), segundo seu advogado

Jorit Agoch e Salvatore De Luise foram presos no sábado na cidade de Bethlehem, após passarem dias criando o mural que representava o rosto de Ahed Tamimi, uma famosa ativista palestina que passou oito meses presa em Israel por dar tapas em dois soldados.

Eles foram pegos em flagrante e, junto com um palestino, presos por vandalismo, de acordo com a polícia, que disse que eles tentaram fugir.

Os artistas foram mantidos em dois centros de detenção separados e, no domingo, Israel cancelou seus vistos e ordenou que eles deixassem o país em um prazo de três dias.

O advogado deles, Azmi Masalha, disse à Associated Press que as autoridades israelenses não apresentaram nenhuma acusação criminal. Além de ordenar que partissem, Israel os baniu de entrar no país novamente por 10 anos.

Uma porta-voz do serviço de imigração de Israel não respondeu aos pedidos de comentário da agência de notícias.

Tamimi, de 17 anos, foi presa em dezembro depois de estapear dois soldados israelenses do lado de fora da casa de sua família. A mãe dela filmou o incidente e postou o vídeo no Facebook, onde ele viralizou e, para muitos, transformou instantaneamente Tamimi em um símbolo da resistência contra o meio século de controle militar de Israel sobre os palestinos.

Em Israel, ela é vista por muitos como uma provocadora, uma irritação ou uma ameaça à política de dissuasão militar.

O caso de Tamimi chamou atenção internacionalmente e ela foi recebida como uma heroína quando foi libertada da prisão no domingo.

Ahed Tamimi acena após visitar o túmulo do líder palestino Yasser Arafat em Ramallah, na Cisjordânia, no domingo (29) (Foto: AP Photo/Majdi Mohammed)

O advogado, Masalha, disse que os artistas italianos desenharam o mural em sinal de “solidariedade” com Tamimi.

Masalha disse ter visto com suspeita a prisão dos artistas já que existem inúmeros grafites no muro de separação e questionou que ela tenha ocorrido tão perto da libertação de Tamimi.

“Eles foram presos no quarto dia em que estavam pintando o grafite, sendo que existe uma torre de observação militar ali e eles estavam na linha de visão desde o primeiro dia. É interessante o porquê deste incidente ter ocorrido no quarto dia”, disse.

Masalha disse que diplomatas da Itália estiveram envolvidos na negociação para garantir a liberação dos artistas.

Três fotos recentes em uma conta de Instagram que se acredita pertencer a Agoch tinham uma foto do mural, uma foto de uma viatura policial israelense e uma nota manuscrita com a frase: “Livre, obrigado a todos vocês”.

Os dois artistas deixaram Israel em um voo para Nápoles, na Itália, na manhã de segunda-feira (30).

(Associated Press)