Pesquisadores descobriram que o Mar Tirreno, que se estende da Córsega, na França, passa pela Sardenha e termina na Sicília, na Itália, esconde uma cadeia com 15 vulcões submersos.

A rede possui 90 quilômetros de extensão e 20km de largura e, além dos oito vulcões já conhecidos, foram recém-descobertos outros sete. A cadeia vai da costa sul de Salerno até a Calábria, ficando a 30km de Sangineto, em Cosenza.

A descoberta foi publicada na revista “Nature Communications” nesta última segunda-feira (13) e a pesquisa foi realizada em uma parceria do Instituto Nacional de Geologia e Vulcanologia (INGV), do Instituto para o Ambiente Marinho Costeiro do Conselho Nacional de Pesquisas (IAMC-CNR, na sigla em italiano) e pelo Instituto Neozelandês de Ciências Geológicas e Nucleares (GNS).

“O Tirreno Meridional é caracterizado pela presença de uma grande quantidade de vulcões, alguns aparentes, como nas Eólias, outros submersos, como o Marsili”, explica Guido Ventura, vulcanólogo do INGV e coordenador do grupo de pesquisa. O Marsili é considerado o maior vulcão submarino da Europa.

“Essa cadeia de vulcões, definida como Palinuro, se estende pela profundidade de cerca de 3,2 mil metros a 80 metros sob o mar. Esses vulcões representam, no conjunto, uma fenda da crosta terrestre da qual sai o magma proveniente das Ilhas Eólias, do Tirreno centro-meridional, e da área que compreende a Púglia e a Calábria”, acrescenta Ventura.

Os dados recolhidos mostram que a dimensão inteira da cadeia vulcânica é maior não apenas na comparação com as Eólias, mas também de outros vulcões submarinos do Tirreno-Meridional, como os Marsili.

“Muitas dessas estruturas vulcânicas apresentam características compatíveis com a abertura de microbacias oceânicas onde se cria uma nova crosta terrestre em sequência da saída do magma de longas fraturas”, acrescenta Salvatore Passaro, geólogo marinho do IAMC-CMR.

“Esse vulcões foram ativos, certamente, entre 300 mil e 800 mil anos atrás, mas não é de se excluir que eles estavam ativos em períodos mais recentes. Hoje, eles são caracterizados por atividades hidrotermais submarinas, que estão em uma área de anomalia térmica (cerca de 500ºC a um quilômetro do fundo do mar”, diz ainda Passaro.

Durante a pesquisa foram usados dados batimétricos, magnéticos e gravimétricos e foram realizadas observações do fundo marinho com o Remote Operating Vehicle (ROV), um veículo submarino pilotado de maneira remota.

O estudo, destacam os pesquisadores, ainda está no início. O conhecimento da história de erupções desses vulcões é ainda parcial e necessita de mais dados e pesquisas oceanográficas. No entanto, mesmo com as informações até o momento, já dá para dizer que o estudo revoluciona em parte a geodinâmica do Tirreno e das zonas subaquáticas do mundo.

Ele ainda abre caminho não apenas para a reconstrução da evolução da crosta terrestre, mas também para a interpretação do significado geodinâmico das cadeias vulcânicas submarinas ativas e dos arcos insulares. (ANSA)