Evento promovido pela Prisma reúne 45 filmes, palestras, debates e oficinas com o objetivo de aproximar as culturas brasileira e italiana 

O cinema italiano desembarcou em São Paulo no último dia 10 com uma programação intensa de filmes e documentários contemporâneos e clássicos, workshops, palestras, convidados internacionais e, por que não? um pouco da gastronomia também que é uma das outras paixões da Itália. Os eventos integram a programação do 1º Italian Film Festival que acontece na capital até o dia 21 de outubro. O festival apresenta o melhor do audiovisual italiano, do cinema clássico ao contemporâneo, atores, autores e técnicos envolvidos em grandes produções ou produções independentes.

Com a proposta ousada de fazer um retrato da Itália pela telona, o festival inclui ainda produtos da indústria do audiovisual, novas plataformas, fotografa e documentários históricos que registraram momentos marcantes da história daquele país. Além de mostrar também como o cinema retrata a moda, comportamento, comida e vinho italianos.

A cerimônia de abertura foi realizada nesta terça-feira (10/10) na Unibes Cultural em São Paulo e reuniu artistas, roteiristas, produtores e empresários do Brasil e Itália para um coquetel e premiações.

O festival foi idealizado pela empresa Prisma com o objetivo de estimular co-produções entre os dois países e facilitar a distribuição no Brasil dos filmes produzidos pela Itália. “São 11 dias para o paulistano fazer uma imersão na cultura italiana. Não é apenas uma mostra de filmes, mas uma programação multimídia que pode provocar a reflexão e aproximar as duas culturas tão próximas como a brasileira e italiana”, define Alessio Ortu, produtor da Prisma.

O ator Christian De Sica, filho de uma das lendas do cinema Vittorio de Sica, foi um dos homenageados da noite e recebeu o prêmio pela sua trajetória de ator, diretor e cantor das mãos do cônsul Michele Pala. Contente e emocionado, De Sica falou sobre a afinidade entre os cinemas italiano e brasileiro. “São países que levam uma vida cotidiana semelhante. Somos apaixonados, calorosos, simpáticos, improvisadores, otimistas com o futuro e grandes artistas também!”

De Sica falou também sobre a vocação da Itália para a comédia da arte e da sua carreira que, diferente do seu pai que foi o precursor do Cinema Neorrealista, Christian sempre esteve mais voltada ao humor. Sobre a tradição italiana no gênero da comédia, ele relembrou grandes nomes como o mestre Totò, Alberto Sordi, Robert De Niro, Marcelo Mastroianni e Nino Manfredini.

Considerado um dos ícones da história da comédia italiana, Totò é um dos homenageados do Italian Film Festival. Serão exibidos na programação alguns clássicos protagonizados por ele como Guardie e ladri, de Mario Monicelli e Steno, Miseria e nobiltà, de Mario Mattoli, L’oro di Napoli, de Vittorio De Sica, e Tutto Totò, de Adriano Pintaldi.

Entre os convidados internacionais do Italian Film Festival, estão presentes também os diretores Massimo Scaglione, Peter Marcias e Alberto de Venezia. Scaglione, o premiado diretor do filme “A esposa do alfaiate (2014)”, comentou sobre a mudança na produção de cinema não só na Europa e Brasil, mas como no mundo: “Hoje somos todos criadores de produtos audiovisuais para o grande público, que poderá assistir a essa criação que fazemos no cinema, no Netflix ou na TV. O cinema está em crise porque o expectador não faz mais distinção entre a grande tela e a tela do computador ou TV, por exemplo.

A programação inclui a exibição também de filmes nacionais, entre eles o “Mataram meu irmão” de Cristiano Burlan, e “Aquilo que sobra” de Humberto Giancristofaro. No total, são 45 filmes entre clássicos, contemporâneos e documentários que serão exibidos em sessões gratuitas no Unibes Cultural, Centro Cultural São Paulo, Circuito SPcine Roberto Santos, Instituto Europeu di Design (IED) e Instituto Italiano de Cultura.

Cejana Montelo