O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, negocia neste final de semana um acordo com outros países da União Europeia (UE) para a redistribuição imediata de 450 imigrantes que estavam à deriva no Mar Mediterrâneo em um barco que saíra da Líbia com destino à Itália

De acordo com fontes do governo, a Itália não permitirá que os 450 imigrantes desembarquem em solo italiano caso não se alcance esse acordo. Nesse cenário, ou o barco será enviado novamente para a Líbia, ou será enviado para Malta, ou ainda permanecerá à deriva até que todos os passageiros passem por exames de reconhecimento e testes de saúde.

O navio partiu na manhã da última sexta-feira (13) de Zuara, na Líbia, e estava a poucas milhas de Lampedusa e de Linosa. Pescadores locais disseram que a embarcação passou por Malta, mas navegava sentido à Sicília.

Com isso, as autoridades italianas deram um ultimato ao governo de Malta e aos líderes europeus, avisando que não deixariam os 450 imigrantes desembarcarem. A Guarda Costeira italiana, através do mecanismo europeu Frontex, colocou 176 das 450 pessoas no navio de patrulha “Protector”. Outras 266 foram enviadas para o barco “Monte Sperone”, também do governo. E oito mulheres e crianças foram encaminhadas para Lampedusa para tratamento médico. Agora, os barcos italianos aguardam um acordo com UE para saber se os imigrantes poderão desembarcar ou não.

Este é mais um caso de “braço de ferro” entre a Itália, a União Europeia e o governo de Malta. As autoridades italianas têm pedido que Malta intervenha nas embarcações de imigrantes quando estão em suas águas territoriais, mas Malta alega que os navios desejam seguir viagem para Lampedusa, a ilha italiana no Mediterrâneo que recebe diariamente centenas de imigrantes do norte da África.

“Só se chega na Itália por vias legais”, anunciou o ministro do Interior de Roma, Matteo Salvini, do partido nacionalista Liga Norte. “Nutrimos e tratamos de todos a bordo, colocando todos a salvo, mas ninguém desembarcará em nenhum porto. Não podemos ceder”, disse.

(Agência ANSA)