A Itália segue rumo a novas eleições, depois que as forças políticas não alcançaram um acordo para superar o bloqueio político após o complexo resultado das legislativas de 4 de março

As eleições podem acontecer ou em julho, ou no fim do ano, ou no início de 2019.

– A proposta do presidente –

Depois de mais de dois meses de negociações sem resultados, o presidente Sergio Mattarella comprovou na última segunda-feira (07) a impossibilidade de formação de um governo e propôs que um nome “neutro” lidere o país até dezembro.

A coalizão de direita liderada pela Liga (extrema-direita) – a mais votada, com 37% dos votos -, pelo Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema, que recebeu sozinho 32% dos votos), e pelo Partido Democrático (PD, centro-esquerda, 19%) não alcançaram um acordo após uma série de vetos recíprocos.

Diante dessa situação, Mattarella propôs um plano que inclui a designação de um primeiro-ministro de consenso, acima das divergências, que governe até dezembro. O período deve permitir a redação de uma nova lei eleitoral e a aprovação da lei orçamentária para tranquilizar os mercados.

Nesse caso, as eleições aconteceriam no início de 2019

Mas a Liga e o M5E, que somam a maioria absoluta no Parlamento, não estão dispostos a aprovar o governo neutro e desejam eleições em julho.

O Força Itália, partido de Silvio Berlusconi, aliado da Liga, apoia esta opção, mas com relutância, por temer uma perda posterior de influência.

Berlusconi, que está inelegível até 2019 por uma condenação de fraude fiscal, sonha com entrar novamente pela porta da frente do Parlamento e seria mais conveniente para seus planos que as eleições ficassem para o próximo ano.

A proposta do presidente de um governo neutro conta com o apoio do PD, da esquerda radical e de pequenos partidos de centro, alguns deles sob risco de desaparecer do cenário político.

– O que o presidente deseja evitar –

Caso o Executivo “neutro” não conquiste o apoio do Parlamento, no cenário mais provável, dada a oposição dos dois maiores partidos, o presidente da República teria de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.

Se a dissolução acontecer até o fim de maio, as eleições poderiam acontecer na última semana de julho (de 22 a 29 de julho), devido aos prazos legais para organizar a votação dos italianos no exterior.

Mattarella advertiu que, neste caso, o país corre o risco de uma elevada taxa de abstenção, pois a votação aconteceria em plenas férias de verão (hemisfério norte).

Também destacou que, no caso de uma nova votação com a lei eleitoral vigente, que é considerada a causa da atual paralisação política, o país pode ver a repetição do resultado de 4 de março.

O presidente, a única figura institucional que pode decidir a dissolução do Parlamento, poderia adiar sua decisão em algumas semanas, para que as eleições aconteçam no fim do ano.

Durante estas semanas, o país poderia adotar um novo sistema eleitoral. Mas não teria tempo para aprovar a lei orçamentária para 2019, o que implicaria o aumento do IVA antes do fim do ano, advertiu Mattarella, que também teme pressões das finanças internacionais.

Para o presidente, a Itália precisa de um governo urgente. Ele pediu aos partidos que encarem suas responsabilidades políticas. (AFP)