Autoridades da Itália apreenderam um navio da ONG Proactiva Open Arms por suspeita de auxílio à imigração ilegal

O confisco ocorreu após a embarcação resgatar imigrantes no mar Mediterrâneo e os levar para território italiano, em vez de deixar que a Guarda Costeira da Líbia os levasse de volta para o norte da África, disse o grupo humanitário espanhol.

Segundo a Guarda Costeria italiana, a Proactiva Open Arms recolheu 218 imigrantes que se encontravam botes infláveis em águas internacionais perto da costa líbia, na quinta-feira (15), e os levou para a Sicília.

A entidade teria ignorado uma mensagem da Guarda Costeira líbia, que assumiu a responsabilidade pelo transporte dos imigrantes naquele trecho de mar, acrescentou a Guarda Costeira italiana em um comunicado.

Um tribunal siciliano confiscou a embarcação na noite de domingo (18) devido à suspeita de que sua tripulação tenha violado acordos internacionais sobre o manejo de imigrantes e ajudado a imigração ilegal para a Europa, disse a instituição de caridade. A corte de Catânia não comentou de imediato o caso.

O fundador da ONG, Oscar Camps, defendeu a atitude de não levar os resgatados à Líbia, já que eles, “incluindo mulheres e crianças”, não teriam a segurança garantida.

“Impedir o resgate de vidas em perigo em alto mar, com o fim de as devolver a força a um país não seguro – como é a Líbia – (…) contraria o Estatuto dos Refugiados da ONU”, acrescentou.

Impasse

O caso enfatiza um impasse crescente entre grupos humanitários que tentam salvar vidas nos mares e autoridades de toda a Europa que tentam impedir as pessoas de sequer arriscarem a perigosa travessia.

Ele também acontece em um momento delicado para a Itália, já que neste mês parte de seu eleitorado apoiou partidos que repudiam a imigração e prometeram deportar centenas de milhares de imigrantes irregulares que já moram no país.

“Finalmente um procurador italiano que impede o tráfico humano”, tuitou Matteo Salvini, líder da sigla anti-imigração Liga, ao comentar a decisão do tribunal. (G1)