As autoridades da Itália acusaram neste sábado (31) cinco funcionários alfandegários da França de entrarem sem permissão em um centro de saúde da ONG Rainbow4Africa para imigrantes, localizado na fronteira em Bardonecchia

“Uma séria interferência no trabalho de ONGs e instituições italianas. Um centro médico é um lugar neutro, respeitado mesmo em lugares de guerra”, diz uma nota divulgada pela Rainbow4Africa no Twitter.

De acordo com a organização, os agentes da alfândega francesa entraram com armas de fogo no ambulatório “constrangendo um imigrante” e “intimidando os médicos” do local a fazerem um teste de urina no refugiado.

Bardonecchia, uma estação de esqui no Valle di Susa, está no meio da rota dos migrantes há alguns meses. Depois de abandonar a via di Ventimiglia, é por essa rota que eles tentam chegar à França, apesar da neve e da geada. O Ministério das Relações Exteriores da Itália convocou o embaixador francês em Roma, Christian Masset, para tratar sobre o episódio. “Agora, o episódio corre o risco de se tornar um caso diplomático, de acordo com princípios invioláveis de independência, neutralidade, imparcialidade e humanidade. A ação dos agentes da alfândega francesa violam estes princípios “, diz Paolo Narcisi, médico e presidente da Rainbow4Africa.

 “A associação insiste que o comportamento adotado no sentido de acolhimento nigeriano parece desrespeito aos direitos humanos.

 Temos confiança nas instituições e na justiça italiana, que foram acionadas com a responsabilidade de implementar as medidas necessárias para a França”, acrescentou.

 Para Narcisi, o “único interesse é garantir o respeito pelos direitos humanos dos migrantes. Acredito que o que aconteceu é uma violação muito grave, não só do sistema de direitos humanos que deve distinguir a Europa, mas também uma violação dos princípios básicos da dignidade humana”.

Em resposta, o ministro das Contas Públicas da França, Gérald Darmanin, declarou que “a fim de evitar qualquer incidente futuro, as autoridades francesas estão à disposição das autoridades italianas para esclarecer o quadro jurídico e operacional, em virtude de um acordo de 1990”.

Desde dezembro passado, mais de mil refugiados, a maioria norte-africanos, encontraram assistência no centro médico da estação de Bardonecchia.

Na última semana, uma imigrante nigeriana grávida que tentara cruzar a fronteira da Itália para chegar à França morreu após dar à luz a seu filho em um hospital de Turim. Ela havia chegado em Bardonecchia no mês passado, mas não teve sua entrada na França autorizada. (Com informações da ANSA)