No Brasil, Embaixada, consulados e Comites italianos trabalham para informar os eleitores sobre o procedimento do voto no exterior e a importância da participação dos ítalo-brasileiro; Cresce número de eleitores no exterior

As eleições para o Parlamento italiano do dia 4 de março terão o maior número de eleitores no exterior e o maior número de países envolvidos. É o que afirma o diretor-geral para os italianos no exterior do Ministério das Relações Exteriores, Luigi Maria Vignali, para quem o voto no exterior é um “exercício complexo”, pois envolve 4.300.000 eleitores, 700 mil a mais que nas últimas eleições de 2013, correspondendo a um crescimento de 20% devido ao número de inscritos no Aire (Anagrafe degli Italiani Residenti all’Estero” / Cadastro dos Italianos no Exterior), que cresceu nos últimos anos. Serão também 177 países envolvidos, sete a mais que no pleito anterior.

“As eleições do dia 4 de março serão também as primeiras eleições políticas em que votarão por correspondência também os cidadãos italianos residentes temporariamente no exterior”, afirma Vignali. Outra novidade será o código de barras no envelope maior com os dados do eleitor. “Uma novidade que incorpora as boas práticas já adotadas no passado na Grã-Bretanha e na Argentina, e que estendemos a 75% dos eleitores. Verificaremos os envelopes devolvidos e a gestão de possíveis pedidos de duplicatas. Essa é uma inovação muito importante para a máxima regularidade e exatidão do voto”, completa o diretor-geral da Farnesina.

Vignali também disse que viajará em missão eleitoral para Buenos Aires (230 mil eleitores), São Paulo (150 mil eleitores) e Londres (233 mil eleitores) — as cidades com maior número de eleitores — para verificar a implementação das inovações nas sedes no exterior.

BRASIL TEM CERCA DE 350 MIL ELEITORES, INFORMA EMBAIXADA ITALIANA

Dados da Embaixada italiana apontam que o Brasil tem aproximadamente 350 mil eleitores e eles se concentram mais nos estados de São Paulo, Paraná, e Rio Grande do Sul. “Esperamos ter a mais ampla participação dos eleitores no Brasil, mesmo cientes de que o período em que essas eleições caem é desfavorável em função da concomitância com o Carnaval, o maior feriado do país. O Carnaval cairá, entre outras coisas, no momento do envio dos envelopes aos eleitores, diminuindo inevitavelmente o tempo de votação. Convidamos, portanto, os eleitores que receberão os envelopes a enviar imediatamente as cédulas votadas ao consulado”, destaca à Comunità o embaixador italiano no Brasil, Antonio Bernardini.

A Embaixada fornece informações aos eleitores através dos sites institucionais e das redes sociais.  Para realizar as operações eleitorais, os eleitores receberão uma tradução em português das instruções de voto com as cédulas eleitorais. O prazo máximo para que as cédulas votadas cheguem aos consulados é dia 1º de março, às 16 horas.

A Embaixada e os consulados italianos no país trabalham incessantemente para organizar em pouco tempo o procedimento de envio dos envelopes aos eleitores e o sucessivo envio para Roma dos votos dos italianos residentes no Brasil. Cada consulado enviará os envelopes fechados para São Paulo, de onde um funcionário viajará de avião à Roma para entregar os votos dos italianos e ítalo-brasileiros.

No estado de São Paulo, a maior circunscrição eleitoral brasileira, a lista eleitoral ainda está sendo aperfeiçoada, mas provavelmente superará 150 mil eleitores. “O voto é um dever cívico, embora no sistema italiano não haja sanções para aqueles que não o cumprem. Por isso, esperamos uma participação massiva dos italianos e, nesse sentido, não estamos poupando esforços para ter a melhor organização das operações eleitorais. Esperamos que as férias e o Carnaval não afetem negativamente”, declara o cônsul italiano de São Paulo, Michele Pala, lembrando que o consulado disponibiliza informações através do site e das redes sociais.

Na circunscrição do Rio Grande do Sul, os italianos inscritos no Aire são 85 mil, dos quais quase 60 mil podem participar das eleições. “Acho que os italianos que vivem no Rio Grande do Sul, dos quais apenas 2 mil nasceram na Itália, superarão a participação de 35% alcançada no referendo de 4 de dezembro de 2016, confirmando-se acima da média nacional, porque no sul do Brasil o sentimento de “pátria dupla” está profundamente enraizado nos corações da população local”, revela o cônsul de Porto Alegre, Nicola Occhipinti.

Entre as recomendações, o cônsul pede aos eleitores votem imediatamente, pois o tempo é bastante exíguo. “Se o eleitor vota atrasado e o envelope retorna ao consulado após às 16 horas do dia 1º de março, o voto não é considerado. É uma importantíssima ocasião para demonstrar o apego à Itália”, completa Occhipinti.

O cônsul do Rio de Janeiro, Riccardo Battisti, também enfatiza o pouco tempo à disposição dos eleitores para votar. “Consideramos válido o voto se recebemos a cédula eleitoral até às 16 horas do dia 1º de março. Todos os envelopes que chegarem após o prazo, serão destruídos. É como se não existissem, e isso é um pecado, porque danifica o voto de até centenas de pessoas. Às vezes, nas semanas após a votação, recebemos envelopes que foram votados regularmente, mas chegam tarde demais “, relata Battisti.

Na circunscrição que compreende os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, o número de eleitores que podem votar somente para a Câmara dos Deputados é de cerca 44 mil, enquanto para Câmara e Senado é de cerca 39 mil. O percentual dos votantes não é, contudo, muito alto. “A mensagem que quero dar é dupla. Primeiro, digo que é importante votar, porque a democracia se exercita com o voto, e é importante que toda essa máquina que colocamos em funcionamento e que custa muito dinheiro que vem do bolso do contribuinte italiano, leve a resultados. Obviamente, não somos partidários e somos apolíticos. A segunda mensagem é para todos aqueles que querem votar, ou seja, que votem rapidamente”, resumiu o diplomata italiano.

A cônsul de Belo Horizonte, Aurora Russi, também espera que os italianos participem em massa e que o feriado do Carnaval não afete negativamente neste sentido. “Ainda não temos o número definitivo dos eleitores, porém a circunscrição conta com 27 mil inscritos no Aire. Pedimos aos nossos concidadãos que se informem através do nosso site, que é atualizado diariamente”, orienta a diplomata italiana.

COMITES ORIENTAM ELEITORES ÍTALO-BRASILEIROS

Os Comites (Comitês dos Italianos no Exterior) estão em primeira linha para informar os eleitores sobre o procedimento do voto para os italianos no exterior e divulgar a importância da participação do cidadão ítalo-brasileiro nas próximas eleições italianas, no dia 4 de março. “O voto é opcional, porém temos a obrigação civil e moral de participar das eleições para escolher nossos representantes, aqueles que irão nos defender e olhar por nossos interesses enquanto italianos no exterior. Votar é a mais verdadeira expressão da cidadania italiana que tanto buscamos e nos orgulhamos”, diz o presidente do Comites em São Paulo, Renato Sartori.

Ele lembra ao eleitor que seja o mais rápido possível na devolução dos envelopes aos correios e que preste muita atenção às instruções para que o voto não seja anulado. “Uma boa participação da comunidade nas eleições conta a favor e serve como termômetro para uma série de outras questões relacionadas ao italiano no exterior”, salienta Sartori.

Ao ser questionado sobre o sistema de votação pelos Correios, Sartori ressalta que, apesar do curto prazo para a votação, ainda assim é positivo, pois garante o direito do voto aos italianos no exterior, inclusive daqueles que moram em áreas mais remotas.

O presidente do Comites do Rio de Janeiro, Alessandro Barillà, tem opinião semelhante, embora não demonstre muita confiança na participação dos eleitores no Brasil. “O voto pelo correio mira a agilizar e ajudar ao eleitor, mas ao mesmo tempo falamos de um eleitor, o ítalo-brasileiro, que não sente muito esse voto, e por isso o percentual de votantes é historicamente baixo. Tanto que nem se preocupa de atualizar o próprio endereço de residência no consulado”, comenta Barillà. Ele acredita que a Itália precisa fazer muito mais para resgatar o espírito de ser cidadão italiano no exterior, a começar pela melhoria dos serviços prestados nos consulados.

O presidente do Comites de Brasília, Claudio Zippilli, considera muito importante a participação dos eleitores que residem no Brasil, e compara o modelo eleitoral brasileiro com o italiano. “Muitos cidadãos ítalo-brasileiros querem votar na Itália, seja porque não estão acostumados com o voto facultativo, pois no Brasil é obrigatório, seja para sentir-se um pouco mais perto da sua amada pátria. Esse espírito proposital é, no entanto, frustrado tanto pelo fato de que muitos envelopes não chegam, quanto pelo tempo muito curto para reenviá-los aos consulados”, avalia Zippilli, apontando para a escassa informação que oferecem os consulados sobre as eleições.

Ele assinala que os consulados, além de publicarem os avisos nos sites, deveriam enviar e-mails ou cartas informativas, pelo menos dois ou três meses antes das eleições, pedindo aos cidadãos para que atualizassem os próprios dados no Aire.

“O voto pelo correio é, sem dúvida, um ótimo sistema, principalmente em países do tamanho do Brasil, em que alguns estados ficam a milhares de quilômetros do consulado e seria difícil alcançá-los com urnas itinerantes. No entanto, torna-se um sistema menos efetivo e inseguro, devido à falta de atualização do Aire. Por uma parte a culpa é do interessado que não atualiza seus dados, mas também é verdade que os consulados nunca fizeram nenhum tipo de atividade para mantê-lo atualizado”, analisa Zippilli, prevendo que um grande porcentual de envelopes retornará aos consulados por endereço desconhecido, ou até mesmo interceptado fraudulentamente por “compradores de votos”.

Zippilli acha que seria interessante publicar mais informações nos sites dos consulados. Ele cita como exemplo as listas dos candidatos de todos os partidos, para que as pessoas possam conhecê-los melhor, porém as informações são reduzidas ao mínimo e publicadas apenas poucos dias antes da eleição. “Um evento tão importante merece mais atenção e dedicação por parte dos consulados, que, em vez disso, o enxergam apenas como mais um “dever a cumprir”, tentando fazer as coisas com pressa para não pensar mais sobre o assunto”, conclui o presidente do Comites criado em 2015, o mais nova representação ítalo-brasileira no Brasil.

 

LISTA PROVISÓRIA DOS ELEITORES PARA AS ELEIÇÕES 2018

Fonte: Embaixada da Itália no Brasil

São Paulo 150.000
Curitiba 59.000
Porto Alegre 58.000
Rio de Janeiro 44.000
Belo Horizonte 18.000
Recife 10.800
Brasília 9.500
BRASIL cerca de 350 mil eleitores

 

LEMBRETE COM AS DATAS PRINCIPAIS

Fonte: Embaixada da Itália no Brasil

 

Envio cédulas aos eleitores 14/02/2018 Prazo para envio dos envelopes aos eleitores AIRE e eleitores Temporâneos (até o 18º dia anterior ao dia da votação) Art. 12 c. 3 Lei 459/2001.
Data de início para solicitar uma duplicata 18/02/2018 A partir do 14º dia anterior ao dia da votação – Art. 12 c. 5 Lei 459/2001
Prazo de recebimento dos envelopes votados 01/03/2018 Art. 12 c. 7 Lei 459/2001 – Prazo para receber os envelopes contendo as cédulas votadas
Envio dos envelopes votados a Roma 01/03/2018 Art. 12 c. 7 Lei 459/2001 – Prazo para receber os envelopes contendo as cédulas votadas
Eleições políticas na Itália 04/03/2018 ELEIÇÕES POLÍTICAS NA ITÁLIA