O primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, se reuniu nesta quinta-feira (14) com os líderes dos quatro países que formam o Visegrad, o grupo de nações da União Europeia que não aceita o plano de realocação de imigrantes, e pediu o compromisso de todos com a crise migratória

Também participou do encontro o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, aliado da luta da Itália para a gestão da imigração ao continente.

“Para nós, muros e os fechamentos são errados e as cotas obrigatórias de realocação são o mínimo para a União Europeia. Esses países tem uma opção muito distante. Mas, é significativo que essa diferença que permanece, e que discutiremos hoje à noite, não tenha impedido uma iniciativa política que acho relevante e agradeço”, disse Gentiloni após a reunião.

Visegrad

O Visegrad, que reúne a Hungria, República Tcheca, Hungria e Eslováquia, sempre se opôs a qualquer plano de realocamento de deslocados ilegais, alegando diversas razões que vão desde a economia até a religião.

Por conta disso, eles estão sofrendo um processo interno na União Europeia, já que se negaram a cumprir sua cota de realocamento estipulada em 2015. No entanto, nesta semana em vista da reunião do Conselho Europeu que começa hoje, eles apresentaram uma proposta de destinar 36 milhões de euros às operações europeias com a Líbia, que controla a chegada dos estrangeiros às ilhas italianas.

Segundo Gentiloni, a iniciativa “confirma a validade da política que estamos desenvolvendo como governo italiano, com o apoio da Comissão e de outros países europeus, e admiro que ela tenha vindo, de maneira particular, de países que sobre o tema migratório tem as posições mais distantes da Itália”.

O premier ressaltou que essas “distâncias”, que referem-se ao sistema de cotas, “não mudaram” durante a reunião de hoje.

“Continuaremos a apoiar a necessidade de ter um compromisso, como foi decidido pela União sobre a realocação de refugiados e de uma política comum dentro das fronteiras do bloco, mas mesmo com essas distâncias, apreciamos que seja compartilhado um esforço comum para combater o tráfico de seres humanos”, acrescentou.

Mas, ele ressaltou que, para ter uma “reviravolta na luta contra os traficantes”, é preciso que exista uma mudança significativa da “situação dos direitos humanos na Líbia” e isso “pede um compromisso financeiro, logístico, político ainda mais forte de toda a família europeia”. (ANSA)