Números indicam aumento da presença italiana no Brasil, entre produtos alimentares, restaurantes e grifes

O apoio na gestão e a redução do risco de falência são alguns dos atrativos para o empresário que pretende abrir uma franquia. Já o proprietário do negócio, o franqueador, tem a possibilidade de expandir a marca, sem grande investimento, e focar na produção. Esse formato de parceria tem crescido nos últimos meses, e deve continuar aquecido este ano entre Brasil e Itália. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), os dados preliminares indicam que a receita do setor em 2017 cresceu 8% frente ao ano anterior, saltando de R$ 151,2 bilhões para R$ 163 bilhões. A projeção para 2018 é ampliar o faturamento entre 9% e 10%.

Assim como o Brasil, a Itália celebra o crescimento do sistema. No ano passado, gerou faturamento de quase R$ 100 bilhões, um incremento de 0,9% em comparação a 2016. Também cresceu 1% o número de unidades franqueadas, resultando em mais de 51,2 mil, segundo números divulgados na assembleia anual de 2018 da Federfranchising Conferescenti, que ocorreu em Roma, em janeiro.

— Há 200 marcas italianas com unidades fora do país, um aumento de 8,7% em comparação a 2012. Isto significa que um quinto dos franqueadores italianos já está em processo de internacionalização. Outros 35% têm interesse em levar a marca a outros países, incluindo o Brasil — analisa a consultora para redes de franquia e varejo, autora dos livros Franchising, na Alegria e na Tristeza e Franchising na Real , Melitha Novoa Prado.

Ainda segundo Melitha, para uma marca dar certo em outro país, são indispensáveis três coisas: conhecer a fundo o mercado em que se pretende atuar; não ter medo de promover as mudanças necessárias para ajustar o negócio à cultura local e estar devidamente capitalizado.

A empresa de roupa íntima Intimissimi, do grupo italiano

Calzedonia, está no Brasil desde 2011 e pretende manter o plano de expansão no país, em 2018, por meio de franquias.

— A marca conseguiu se impor no mercado mundial de roupas íntimas graças a uma rede de franchising sólida e ramificada. Cursos de formação teórica e prática têm como objetivo fornecer todas as noções necessárias para gerir corretamente uma franquia Intimissimi. Oferecemos também apoio na busca do ponto comercial e nas negociações com os shoppings centers, projeto arquitetônico da loja e implantação da franquia — disse Nicola Faoro, Country Manager da Intimissimi Brasil.

O presidente da ABF, Altino Cristofoletti Junior, também demonstra otimismo.

— A busca por eficiência, novos mercados e por atrair um consumidor receoso se traduziu em muita inovação: novas estratégias de venda, de configuração de ponto comercial, aprimoramentos em produtos e parcerias das mais variadas — analisa.

Alimentação continua sendo o maior segmento das franquias, mas setor da beleza cresce

Entre as maiores franquias do Brasil, predominam os setores de alimentação (34%) e serviços educacionais (18%), mas, em 2017, houve o crescimento da participação do segmento de saúde, beleza e bem-estar (de 12% para 16%). O restaurante Abbraccio Cucina Italiana, que já possui nove lojas no Brasil (seis no estado de São Paulo, uma no Rio de Janeiro e duas em Brasília), prevê a abertura de mais três lojas na capital fluminense em 2018. As novas unidades fazem parte do plano de expansão internacional do Abbraccio. A illycaffè, sediada em Trieste, também anunciou a opção do sistema de franquias.

— Atualmente, somos mais 230 pontos de venda. A opção Espressamente illy é um formato de franquia local que oferece toda a experiência da marca, desde a qualidade dos produtos, a proposta de comida e vinho, até o design do restaurante — afirmou Christine Pascolo, gerente de comunicação corporativa da illycaffè.

Outro movimento detectado pelo estudo da ABF, em 2017, foi o crescimento de participação de pontos de venda alternativos (quiosques, trucks, contêineres, store in store, home-based, etc.) que passou de 6% para 9%, enquanto as lojas físicas predominam, com 91%. Atualmente, há franquias para todos os bolsos, das microfranquias a investimentos vultosos. O custo varia de acordo com o tipo de negócio, do ponto comercial e da área de atuação.