Como não se emocionar e se encantar com a musicalidade do mestre Toquinho. Ele, que atribui seu talento à mistura desse universo entre Brasil e Itália, nos dá a exata noção do que é essa relação entre os dois países. Uma troca dinâmica entre potência e tecnologia; entre paixão e amor; entre gênese e história. Seus lindos versos de grande melodia encantam os povos dos dois países e por isso Antonio Pecci Filho, Toquinho, foi reconhecido pela República italiana como Grande Oficial da Ordem da Estrela da Itália. Em entrevista para esta edição, o artista, com sua prosa simples e encantadora, nos revela que sempre devemos ter a coragem de ultrapassar as barreiras e dá esperança para “fazer ou refazer melhor”.

E precisamos mesmo nos reinventar.

Trazemos neste número análises da conjuntura do Brasil. O período em que nos encontramos chama atenção pela falta de um desenho concreto do que será o País nos próximos anos, ou mesmo nos próximos meses. A crescente onda de violência nos centros urbanos e a escalada da radicalização política chama atenção e queremos aqui trazer uma visão externa do que se passa no nosso quintal. Índices recentes da economia nos mostram que o pendulo tende a uma situação melhor, de crescimento. Certo é que as mudanças desta nação acontecem, para o bem e para o mal, de modo abrupto. Acreditamos na formação da melhor opinião a partir de diversas fontes. Por isso a equipe de Comunità vai sempre em busca das mais diversas opiniões, como podemos observar na matéria desta capa realizada pela correspondente em Roma, Gina Marques, e a partir da entrevista realizada pelo correspondente italiano Stefano Buda com o administrador do importante órgão financeiro Sace, Alessandro Decio, que fará parte do Fórum de Investimentos Brasil 2018, no fim do mês em São Paulo.

E se falamos em refazer, o momento na Itália é de se montar um governo entre duas forças completamente diferentes. A direita de Matteo Salvini e os antissistema representados por Luigi Di Maio tentam chegar a soluções para conduzir a Itália por um tempo ainda não determinado ou até se prepararem para novas eleições. Na democracia parlamentarista italiana isso é possível na busca de se achar a verdadeira força política que representará os anseios da população para o futuro do país. Mas isso traz também os custos da máquina. No exterior, onde vivem milhões de cidadãos, o sistema eleitoral através do voto por correspondência se mostrou falho e sujeito a desvios de toda ordem. A mobilização para eleger representantes italianos em território estrangeiro não é simples e muita coisa deve mudar no cenário dos candidatos, caso novas eleições sejam convocadas no segundo semestre. O que será que será não sabemos, ao menos até o momento. Mas o diálogo entre polos tão distintos também traz a beleza da democracia e nos convida a acreditar que tudo é possível.

Boa leitura!