Com a exposição de um dos mais famosos manuscritos de Leonardo Da Vinci, o Código de Leicester, a cidade italiana de Florença inaugurou na segunda-feira (29) as comemorações pelos 500 anos da morte do gênio da Renascença

Como uma homenagem a um dos artistas mais talentosos da História, do qual se pode admirar a capacidade de combinar arte com ciência, beleza com mecânica, natureza com proporções, a famosa Galeria dos Ofícios de Florença obteve por empréstimo o Código Leicester por parte do magnata americano Bill Gates, proprietário do manuscrito desde 1994.

“Não podemos dizer se Bill Gates visitará a exposição”, reconheceu à AFP Eike Schimdt, diretor da Galeria dos Ofícios, após agradecer novamente o empréstimo do fundador da Microsoft.

Escrito ao contrário com a ajuda de um espelho, Da Vinci reúne boa parte dos seus conhecimentos científicos no livro de 72 páginas e 360 ilustrações e desenhos.

Elaborado entre 1506 e 1508 em Florença e Milão, o manuscrito chegou na semana passada em uma embalagem especial dentro de uma caixa e escoltado dos Estados Unidos para a inauguração da exposição que tem como lema “O Código Leicester de Leonardo da Vinci: a água, microscópio da natureza”.

Este documento é o único dos grandes códigos de Da Vinci que não é propriedade do Estado e foi adquirido em um leilão por Gates de seu dono anterior, Armand Hammer, por 30 milhões de dólares, convertendo-se no livro ou documento mais caro do mundo.

A última vez que esse código de Leonardo Da Vinci foi exibido na Itália foi em Veneza, em 1995, durante a exposição dedicada ao mestre italiano.

Codescope, uma inovação multimídia

Para entender o excepcional texto, foi instalado na nova Sala Magliabechiana dos Ofícios um moderno sistema multimédia através do qual pode-se consultar as 36 folhas, com a característica escrita de espelho usada por Leonardo e conservadas em vitrines com tecnologia que mantém constante a temperatura e umidade.

Graças ao inovador “Codescope”, um tipo de tela moderna, é possível “navegar” dentro do código e, sobretudo, pela sábia mente de Da Vinci.

“O Código Leicester representa todo o pensamento de Leonardo. Quando é pintor é cientista, e quando é cientista é pintor também. Não se trata de culturas diferentes. Trata-se de um modelo para os nossos dias em plena era digital”, reconhece Schmidt.

A sabedoria do grande mestre, que foi arquiteto, botânico, cientista, escritor, escultor, filósofo, engenheiro, inventor, músico, poeta e urbanista, está plasmada em suas ideias originais e em seus conselhos, escritos a mão pelo próprio Leonardo e em italiano, nos quais mistura observações e teorias.

Entre os muitos argumentos tratados, aborda o movimento da água, o fluxo dos rios, recomendações ao construir pontes para evitar a erosão, e explica a existência de fósseis marinhos nos cumes das montanhas.

Também traz desenhos de engenharia para mergulhadores e submarinos, e explica a luminosidade da lua e o motivo pelo qual o céu é azul. Revisa a teoria do dilúvio universal e faz um catálogo da variedade infinita de movimentos da água.

“Tem sido um verdadeiro desafio. Porque é um texto muito complexo para a sua divulgação (…) Teria que isolar os temas fundamentais: água terra e movimento, e depois, com a ajuda dos sistemas multimídia, a parte gráfica e os desenhos, para ser entendido pelo público que não é especializado”, explicou à AFP Paolo Galluzzi, diretor do Museu Galileu de Florença e um dos maiores especialistas no “gênio dos gênios”.

(EXAME)