O presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Roberto Fico, do partido Movimento 5 Estrelas (M5S), disse ontem (30) ser contrário à política de proibir que navios de ONGs que atuam no Mar Mediterrâneo desembarquem no país. “Eu não fecharia os portos”, comentou o político.

Fico visitou neste sábado um centro de acolhimento de imigrantes em Pozzallo, na Sicília, no sul da Itália. “Sobre a imigração, é preciso discutir com coração e inteligência”, ressaltou. “Quando se fala de ONG, temos que entender o que quer dizer. Elas fazem um trabalho extraordinário”, elogiou.

“As ONGs que atuaram aqui em Pozzallo fizeram um trabalho extraordinário, que foi confirmado pelo prefeito, pela polícia e pela Defesa Civil”, defendeu. No entanto, a posição de Fico pode gerar polêmica dentro do próprio governo italiano. O M5S atualmente faz parte da coalizão com o partido nacionalista Liga Norte, cujo líder é o ministro do Interior, Matteo Salvini, principal defensor da ideia de impedir que as ONGs desembarquem imigrantes ilegais na Itália.

Nas últimas três semanas, Salvini proibiu que algumas ONGs que haviam resgatado centenas de imigrantes no Mar Mediterrâneo chegassem a portos italianos. As embarcações ficaram por dias à deriva até que algum país da União Europeia se oferecesse para receber o barco.

“Como terceira fora do Estado, digo que é preciso ser solidário com quem migra. São histórias dramáticas que tocam o coração. Cabe à Europa cuidar desta emergência, não somente à Itália. Necessitamos afastar os extremismos, porque a solidariedade se constrói juntos”, afirmou o presidente da Câmara dos Deputados.

(Agência ANSA)