A vida privada já não é privada há muito tempo. Nossa liberdade cívica, que na democracia é indelével, já está aprisionada dentro da Rede mesmo sem o Facebook, que hoje sofre retaliações por conta do uso indevido de informações mundo a fora.

As intrusões facebookianas vão desde a venda de produtos que se dão por simples likes até a utilização política de partidos que fazem massiva propaganda oculta. Mas se pensarmos no poder que o Estado tem sobre nós, a ferramenta de Mark Zuckerberg, que fez com que muitos se encontrassem ou se reencontrassem, não parece ser tão devastadora assim. Através de nossas movimentações bancárias, a temida Receita ou agências estatais sabem como gastamos nosso dinheiro, onde, quando, com quem e por que. As várias câmeras, que também nos multam, conseguem saber a que velocidade vamos a algum lugar. O livro que compramos, o salão de beleza frequentado, o esporte preferido, os vinhos, os remédios, as doenças, tudo por onde andamos deixamos traços em GPS e o onipresente Estado pode monopolizar essas informações com coerção legal, com o uso de instrumentos de investigação, com os seus poderes. Tudo está nas mãos do Estado.

Tudo, menos a decisão do juiz que tirou a chance da Juventus seguir nas semifinais da Champions League. Um esporte que une diversas cidadanias, diversas línguas e uma paixão em torno de um time, mostra como pode ser cruel um poder. Na boca do inglês Michael Oliver, o apito determinou a penalização máxima para a grande squadra juventina. Marcou um pênalti, muito discutido por todos, nos acréscimos da etapa final, e ainda expulsou o portiere Gianluigi Buffon, que disse que o juiz da partida – de uma Inglaterra que não tem sequer um juiz escalado na Copa do Mundo – era um “ser humano que não podia destruir o sonho de um time, sendo protagonista, sem a adequada personalidade, ao marcar um episódio dúbio àquela altura do confronto”. As nuances dessa partida – que começou em Turim, quando o Real fez 0-3 no Stadium, com um pênalti claro a favor do time italiano, não marcado –  são muitas e ficarão na história e a grandeza de Buffon foi demostrada no abraço do idolatrado Ronaldo, assim como pelos intensos aplausos da torcida espanhola ao portiere dentro do estádio Santiago Bernabéu.

E a Itália já havia se agigantado no futebol no dia anterior, quando a Roma deixou de joelhos o imbatível Barcelona diante de um estádio Olimpico que se misturava em lágrimas e sorrisos da mais pura alegria. Aquele 3×0 é mais que um milagre se formos observar os números do time espanhol dos campeões Messi e Suarez. A virada é mais que um milagre que enche de orgulho um país tradicional no esporte que ficará fora da principal competição mundial na Rússia. A partida perfeita foi jogada pelo time da capital italiana e todos os registros da garra dos jogadores à emoção da torcida são memoráveis, o que valoriza não só o bilhete RomaXBarcellona de quem estava lá, mas mostra como a paixão supera o medo e a liberdade individual só pode ser realmente gozada dentro de cada um de nós.

Que o fascinante futebol nos motive a superar os diversos obstáculos do cotidiano.

Boa leitura!