Na véspera da decisiva assembleia que renovará o conselho de administração da TIM na Itália, o diretor de operações da empresa no Brasil (COO), Pietro Labriola, afirmou nesta quinta-feira (3), durante evento em São Paulo, que não teme os efeitos da disputa entre Vivendi e Elliott

O grupo francês de telecomunicações e a gestora de recursos norte-americana possuem, respectivamente, 23,94% e 9,19% da TIM e, nas últimas semanas, vêm protagonizando uma intensa batalha nos bastidores e na imprensa.

A Elliott questiona abertamente a gestão da Vivendi no comando da TIM e aumentou sua participação na operadora para conseguir apresentar uma lista de candidatos ao conselho de administração. Entre outras coisas, os norte-americanos defendem a “redução radical do perímetro” da empresa italiana e a fusão da filial brasileira com um player “local”.

Por sua vez, a Vivendi rechaça essa ideia e afirma que ela colocaria “em risco” o plano estratégico da TIM e aumentaria a “pressão financeira” sobre a operação no Brasil. “Não temos medo, continuamos focados, porque todas as vezes em que estamos focados, entregamos resultados”, garantiu Labriola.

O executivo acrescentou que, pelo que lera na imprensa, “ambos os contendentes “têm a mesma visão, de que o Brasil é um elemento-chave da estratégia”. “Nos últimos três anos, todas as vezes em que o máximo nível executivo do grupo falou sobre o Brasil, foi dizendo que é um de seus elementos-chave”, afirmou.

Assembleia

A reunião dos acionistas da TIM na Itália acontece nesta sexta-feira (4), após a renúncia do presidente Arnaud De Puyfontaine e de mais sete membros do conselho de administração. A saída em massa foi uma forma de rebater a proposta da Elliott para revogar os mandatos de seis conselheiros nomeados pela Vivendi.

O confronto na assembleia de sócios será aberto: duas listas adversárias, uma apresentada pelos franceses e outra pelos norte-americanos. Aquela que vencer terá direito a 10 vagas no conselho; a derrotada ficará com cinco. O único ponto em comum entre elas parece ser o apoio à manutenção do CEO Amos Genish, indicado pela Vivendi.

Até o governo italiano entrou na disputa, por meio da Cassa Depositi e Prestiti (CDP), controlada pelo Ministério de Economia e Finanças e agora dona de 4,26% da TIM. O restante das ações está nas mãos de investidores institucionais e acionistas individuais.

A Elliott acusa a Vivendi de fazer uma “péssima administração” na operadora, enquanto os franceses dizem que a gestora quer “desmantelar” a empresa. (Agência ANSA)