Escrutinador afirmou ao repórter que houve irregularidades na seção em que trabalhou

DA REDAÇÃO

Reportagem do polêmico programa Le Iene, do canal italiano Mediaset, que foi ao ar no domingo (11), ouviu italianos que moram fora da Península. No vídeo, há mensagens de dois brasileiros, um eleitor de fortaleza e outro de Florianópolis. Todos, rigorosamente sem exceção, queixaram-se de não ter recebido a cédula eleitoral em suas residências e insinuaram que as correspondências foram roubadas.

Um escrutinador afirmou ao repórter que houve irregularidades na seção em que trabalhou. A candidata do Movimento 5 Stelle Adele Castellaccio, pela circunscrição Austrália, Ásia, África e Oceania, afirmou na reportagem que houve descumprimento de normas do Ministério do Interior.

As suspeitas de fraudes dos votos do exterior, especialmente dos oriundos da Argentina, estão sob análise no Tribunal de Recursos (Corte di Appello Italiana) após queixa formal do Partido Democrático (PD). O ex-deputado Fabio Porta (PD) confirmou à Comunità que recomendou ao Ministério das Relações Exteriores e consulado e embaixada italianos em Buenos Aires que mantenham intacta toda a documentação dos votos argentinos para possível investigação futura. A meta é rastrear todo o caminho dos votos pelos códigos de barras e identificar se o eleitor recebeu ou não a cédula eleitoral. Em seguida, comparar o resultado da investigação com os votos contados em Castelnuovo di Porto.

Para Porta, a legislação que rege o voto no exterior precisa ser revista. O voto pelos correios, reforça ele, é vulnerável a fraudes e favorece, inclusive, candidatos que sequer mantêm raízes com as comunidades italianas.

Os candidatos da Forza Italia Cesare Villone e Andrea Dorini, que disputaram pela circunscrição da América do Sul, respectivamente, as cadeiras de deputado e de senador no Parlamento Italiano, enviaram nota à imprensa na qual afirmam que não “haverá descanso” até que os indícios de fraudes nas eleições sejam esclarecidos, especialmente irregularidades no sistema de voto pelos correios.

A reportagem de Comunità ouviu semanas atrás a área internacional dos Correios, que realiza um trabalho especial para eleições de outros países. A informação é de que o governo italiano e a embaixada não notificaram os Correios sobre o pleito. “Na realização do voto dos italianos residentes no exterior no ano de 2018 na América do Sul, por de mais uma vez veio à tona o fato escandaloso de que dezenas de milhares de cidadãos não receberam as fichas eleitorais em seus domicílios, sem haver sido dada até o momento qualquer justificativa sobre o assunto por parte das autoridades competentes. Trata-se de uma situação extremamente grave, pois foi tirado de vários cidadãos italianos o seu direito de voto, algo inaceitável e que levanta uma série de suspeitas sobre os motivos que levaram à ocorrência de tal cenário”, diz a nota assinada por Villone e Dorini, que não se elegeram.

Uma semana após a eleição, a contagem de votos do exterior ainda não foi concluída.

CLIQUE AQUI e assista a reportagem do Le Iene.